Atualmente, a agricultura na China está se transformando com o uso de tecnologias avançadas, como tratores autônomos, drones que realizam a pulverização de culturas por meio de aplicativos móveis e equipamentos que ajustam suas rotas em tempo real, com uma precisão inferior a 2,5 centímetros. Esse avanço é resultado da implementação do Sistema de Navegação por Satélite BeiDou (BDS), que se tornou parte integrante de todos os processos produtivos agrícolas do país — desde o plantio até a colheita.
Estratégia de independência tecnológica
O BeiDou foi criado em 1994 com um objetivo estratégico: diminuir a dependência da China em relação aos sistemas de navegação internacionais, especialmente o GPS dos Estados Unidos.
Após anos de aperfeiçoamento, o sistema agora opera em nível global e é promovido pelo governo chinês como um elemento crucial para segurança nacional e crescimento econômico, ultrapassando sua função original como ferramenta de navegação civil.
A estrutura técnica do BDS reflete essa visão. Para assegurar uma precisão centimétrica nas atividades agrícolas, a China implantou mais de 5.000 estações de referência no solo nacional. Essas estações são responsáveis por fornecer dados corretivos em tempo real aos dispositivos instalados nas máquinas agrícolas, eliminando as variações naturais do sinal recebido dos satélites.
No dia a dia das práticas agrícolas, a diferença entre um sistema de navegação comum e o BeiDou com correção é evidente nas colheitas. Pequenos erros na linha de plantio ou na condução do trator podem afetar negativamente a densidade das sementes, aumentar o desperdício de insumos e diminuir a produtividade por hectare.
“Em regiões como o nordeste da China e Xinjiang, conseguimos atingir um posicionamento com precisão centimétrica em apenas dois minutos; na maioria das áreas, esse tempo é reduzido para cinco minutos”, destacou Chen Jinpei, CEO da SpatiX, uma empresa especializada em tecnologia espacial.
Atualmente, há mais de 2,7 milhões de terminais do BeiDou operando no setor agrícola da China, conforme informações da Associação Chinesa de GNSS e Serviços Baseados em Localização (GLAC).
O BDS evoluiu para muito mais do que uma simples ferramenta de navegação. Ele agora se integra a sensores remotos, plataformas da Internet das Coisas (IoT), sistemas de informações geográficas e big data — formando aquilo que especialistas denominam como o “olho inteligente” das lavouras.
O BeiDou simboliza a intersecção entre estratégia geopolítica e inovações tecnológicas. Criado para proporcionar autonomia em infraestrutura crítica relacionada ao posicionamento e temporização, o sistema encontrou na agricultura um dos seus usos mais práticos e quantificáveis.
Com informações da Revista Qiushi.
