Na quinta-feira (9), o cenário político brasileiro foi surpreendido por um intrigante… silêncio. O deputado federal Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, anunciou de forma oficial que não irá participar da disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições de 2026. Essa declaração foi feita em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela legenda, que aproveitou a oportunidade para informar que não apresentará candidato à presidência neste ano.
Essa decisão carrega um tom de ironia nostálgica para aqueles que acompanham a política. Em 2014, Aécio Neves era visto como o grande ícone do partido tucano. Neto de Tancredo Neves, ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente da Câmara dos Deputados, ele enfrentou Dilma Rousseff (PT) em um segundo turno marcado por intensos conflitos políticos, recebendo mais de 51 milhões de votos, ou seja, 48,36% do total. Aécio esteve muito próximo de assumir a presidência.
Agora, em 2026, sua decisão de se retirar da corrida presidencial provoca na opinião pública um efeito semelhante ao das marés em uma praia deserta durante o inverno.
A trajetória do candidato ausente
A ideia de reerguer a candidatura do mineiro vinha sendo cuidadosamente elaborada nos bastidores da federação que une PSDB, Cidadania e Solidariedade. Em maio, o Cidadania ousou propor a pré-candidatura de Aécio. O diretório paulista do PSDB, mesmo com seu esvaziamento, celebrou essa sugestão, que recebeu até o apoio entusiástico de Ciro Gomes. Este último havia prometido não concorrer mais ao Planalto e decidiu se lançar como pré-candidato ao governo do Ceará pelo partido de Aécio.
No entanto, o PSDB não revelou os verdadeiros motivos que levaram seu líder a desistir da corrida antes mesmo dela começar. Não é necessário ser um especialista em política para perceber: a pré-candidatura do mineiro tinha um problema sério de falta de visibilidade pública. Ninguém discutiu sobre ele, ninguém fez críticas e poucos demonstraram interesse. Simplesmente passou despercebida.
Com seu anúncio sobre a “volta dos que não foram”, Aécio Neves livra o país da perspectiva de uma campanha sem substância e evidencia o atual tamanho do seu partido. De uma força oposicionista relevante no Brasil a uma legenda que se retira da disputa presidencial sem gerar impacto algum, o PSDB e seu principal líder reconhecem que na política, o oposto do amor e do ódio não é apenas a rejeição, mas sim uma completa e absoluta irrelevância.
