sexta-feira, outubro 30

Escândalo do Banco Master: PF aponta 15 envolvidos em investigação

A Polícia Federal (PF) formalizou o indiciamento de Daniel Vorcaro e mais 14 indivíduos em conexão com supostos crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). O relatório, que foi divulgado na última quinta-feira (29), designa Vorcaro como o líder da operação ilegal e elucida as funções dos demais envolvidos, que incluem executivos de ambos os bancos, empresários e um advogado.

Conforme a investigação, o Banco Master teria utilizado a empresa Tirreno, a qual não possuía funcionários, infraestrutura operacional ou patrimônio compatível para realizar transações financeiras com o BRB.

Diversos níveis de envolvimento nas operações foram identificados pela PF, desde a formulação das estratégias até a elaboração de documentos e aprovação das transações financeiras.

Conheça os 15 indiciados e as informações da PF sobre cada um deles

1. Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Considerado o líder do esquema, ele é responsável pela coordenação estratégica das atividades. Está detido desde março de 2026.

2. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Integra o grupo decisório ao lado de Vorcaro. Foi nomeado para o cargo pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e encontra-se preso desde abril.

3. Augusto Ferreira Lima, ex-parceiro de Vorcaro. Designado como membro do núcleo financeiro. Já foi proprietário do Banco Pleno, que foi liquidado pelo Banco Central.

4. Angelo Antônio Ribeiro da Silva, diretor do Master. Ele teria estado envolvido na execução financeira e na assinatura dos documentos relacionados às operações com a Tirreno.

5. Luiz Antonio Bull, diretor de contabilidade do Master. É suspeito de ter participado da formalização dos negócios e da criação dos documentos enviados aos órgãos reguladores.

6. Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente de tesouraria do Master. Assinou o contrato de parceria com a Tirreno e declarou à PF que apenas seguia ordens superiores.

7. Allan da Silva Machado, gerente de operações do Master. Responsável pela montagem das carteiras de crédito e pela elaboração dos documentos utilizados nas negociações financeiras.

8. Henrique Souza e Silva Peretto, proprietário oficial da Tirreno. De acordo com a investigação, ele participou da estrutura empresarial utilizada nas transações suspeitas.

9. André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master e diretor da Tirreno. Ele estaria vinculado ao núcleo empresarial responsável por intermediar as operações financeiras investigadas.

10. Daniel Lopes Monteiro, advogado do Master. Identificado como responsável pela estrutura jurídica e documental. Segundo o MPF, ele teria recebido pelo menos R$ 86 milhões relacionados aos esquemas investigados.

11. Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor financeiro do BRB. Acredita-se que ele tenha feito parte do núcleo financeiro. Foi afastado do cargo e teve bens bloqueados além do passaporte apreendido.

12. Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de controle e riscos do BRB. Teria se envolvido nas aquisições ciente dos riscos envolvidos nas operações financeiras realizadas.

13. Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora de gestão de pessoas do BRB. Participou das deliberações sobre os negócios com o Banco Master sem registrar objeções contrárias. A PF não aponta sua participação direta nas fraudes cometidas.

14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor atacadista e governamental do BRB. Esteve presente em reuniões onde as operações foram aprovadas sem registro de oposição alguma às mesmas.

15. José Maria Correa Dias Junior, ex-diretor de tecnologia do BRB. Envolveu-se em decisões coletivas que validaram as transações. Conforme a PF, sua responsabilidade se limita às deliberações que participou diretamente.

Ponto de vista das defesas

A defesa de Daniel Vorcaro considera que o indiciamento foi prematuro e argumenta que a investigação chegou a conclusões sem evidências concretas.

Os advogados representando Paulo Henrique Costa afirmam que o ex-presidente do BRB não tinha conhecimento das alegadas fraudes. Angelo Silva nega qualquer envolvimento nas irregularidades enquanto outros indiciados alegam ter atuado apenas em funções puramente técnicas dentro das respectivas organizações.

Certa parte das defesas ainda não havia se manifestado no momento da publicação deste relatório. Vale ressaltar que um indiciamento não implica uma condenação judicial definitiva.