O governo do México está considerando a reabertura da exploração de gás não convencional, incluindo gás de xisto, como parte de uma estratégia que visa reduzir a dependência significativa do país em relação às importações de gás natural dos Estados Unidos.
Recentemente, foi destacado que tanto o Brasil quanto o México, importantes países produtores de petróleo na América Latina, ainda estão atrelados à importação de hidrocarbonetos dos EUA.
Atualmente, o consumo diário de gás natural no México gira em torno de 9 bilhões de pés cúbicos, enquanto a produção interna é de apenas 2,3 bilhões de pés cúbicos. Assim, cerca de 75% a 80% do consumo total é suprido por importações da América do Norte, principalmente do Texas.
Informações da empresa estatal Pemex revelam que as reservas de gás não convencional no território mexicano superam as reservas convencionais em volume. As reservas convencionais verificadas somam aproximadamente 83 trilhões de pés cúbicos, enquanto as estimativas para os recursos não convencionais ultrapassam 140 trilhões de pés cúbicos.
Claudia Sheinbaum, a presidente do país, anunciou a criação de um comitê científico que irá investigar as tecnologias disponíveis para a extração desses recursos naturais, priorizando o uso de substâncias menos prejudiciais e água reciclada. Este grupo deve apresentar suas sugestões em até dois meses.
Essa nova abordagem representa uma mudança significativa em comparação com o governo anterior. O ex-presidente Andrés Manuel López Obrador se opôs ao fraturamento hidráulico e essa posição resultou na continuidade da dependência do gás de xisto importado mesmo diante do aumento da demanda interna.
A matriz elétrica mexicana é fortemente baseada no gás natural. Atualmente, sete usinas de ciclo combinado estão sendo ativadas e outras cinco estão previstas — todas operando com gás.
Para o futuro próximo, a Pemex planeja aumentar sua produção interna para pouco mais de 4 bilhões de pés cúbicos por dia até 2030 e tem uma meta ambiciosa de alcançar 8,6 bilhões ao longo da próxima década. Essas projeções levam em conta a possível contribuição das fontes não convencionais.
Apesar das expectativas positivas para a produção nacional aumentar, as importações continuarão a representar uma parte significativa da oferta energética do país nos próximos anos.
