terça-feira, julho 21

Confronto entre EUA e China por cabo de internet na América Latina: uma batalha pela conectividade regional.

O presidente José Antonio Kast assumiu o comando do Chile com uma decisão sensível à frente. O governo terá que definir o futuro de um projeto de cabo submarino de fibra óptica que prevê a ligação direta com a China.

A iniciativa foi pensada para diminuir a dependência das rotas de dados que passam pelos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, coloca o país no centro da disputa entre as duas maiores potências globais.

Washington classificou o projeto como risco à segurança e adotou medidas contra integrantes do governo anterior. Autoridades chilenas chegaram a ter vistos revogados após o avanço do acordo com a estatal chinesa envolvida.

Especialistas apontam que uma conexão direta com a Ásia pode alterar o controle sobre o tráfego de dados na região. O tema ganhou peso na transição de governo e provocou atritos entre Kast e seu antecessor, Gabriel Boric.

LEIA TAMBÉM:

  • EUA mandam recado a país latino-americano para que não permita controle chinês de ativo estratégico
  • Do Chile aos EUA: a expansão da guerra contra as migrações
  • EUA mandam recado ao Brasil sobre presença chinesa no porto de Santos

Pressão externa e interesses econômicos

O novo presidente tenta equilibrar a pressão das duas potências. De um lado, os Estados Unidos, com quem mantém proximidade política. De outro, a China, principal destino das exportações chilenas.

Em 2025, o país vendeu mais de US$ 38 bilhões, com destaque para cobre, lítio e produtos agrícolas. A dependência comercial pesa na decisão.

Ao mesmo tempo, o Chile busca ampliar sua infraestrutura digital e consolidar sua posição regional. O país já figura entre os mais rápidos do mundo em banda larga e pretende avançar em serviços digitais e centros de dados.

Outro projeto segue em curso: um cabo de cerca de 14.800 quilômetros que liga o Chile à Austrália, em parceria com uma empresa norte-americana.

Analistas avaliam que, se a conexão com a China não avançar, outros países da região podem assumir esse papel. O Peru aparece como principal alternativa.