A ex-deputada Carla Zambelli, condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), deve ser extraditada da Itália ao Brasil para ser presa pela Justiça brasileira. A decisão foi divulgada pela Justiça italiana nesta quinta-feira (26).
A decisão proferida pelo Tribunal de Roma atende a um pedido do governo brasileiro, mas ainda não é definitiva. A defesa de Zambelli pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância do Judiciário italiano. Além disso, a palavra final caberá ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, que tem a prerrogativa de confirmar ou rejeitar a extradição. Até a conclusão do processo, a ex-deputada seguirá presa no país europeu.
Zambelli foi capturada pela Justiça italiana em julho de 2025, após ficar dois meses foragida. A captura da ex-deputada foi possível após cooperação internacional e a ajuda do deputado italiano Angelo Bonelli, responsável por localizar Zambelli durante sua fuga. Abaixo, veja o passo a passo da trajetória da ex-deputada desde sua fuga até a extradição.
Trajetória de Zambelli da fuga à extradição
Fuga
Após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 16 maio de 2025 a dez anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para alterar documentos, Zambelli fugiu para o país italiano, onde possui nacionalidade. A fuga ocorreu dias depois da condenação, em 25 de maio.
De acordo com as investigações, a ex-deputada fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina, seguindo para os Estados Unidos e finalmente chegando na Europa no dia 5 de junho.
No dia seguinte, após o STF rejeitar todos os recursos apresentados pela defesa da deputada, Zambelli teve sua prisão definitiva decretada. A Suprema Corte também solicitou, imediatamente, a extradição da deputada ao Ministério da Justiça e incluiu seu nome na lista vermelha da Interpol, responsável por acionar polícias de todo o mundo para a captura de um foragido.
Prisão
Por quase dois meses, Zambelli se manteve foragida em solo italiano. Foram 53 dias de buscas até o deputado Angelo Bonelli fornecer à polícia a localização da ex-deputada. Zambelli foi presa no dia 29 de julho.
Extradição
A partir da prisão da deputada, o processo de extradição teve início até culminar no pedido aceito pelo Tribunal de Apelações de Roma aceitar o pedido da Justiça brasileira. A decisão, no entanto, ainda não é definitiva. O Supremo Tribunal de Cassação ainda deve decidir se mantém a decisão de extradição e, em caso positivo, o ministro da Justiça italiana decidirá se Zambelli será extraditada.
Cooperação de deputado italiano
A prisão de Zambelli só foi possível graças à atuação direta de Angelo Bonelli. O deputado italiano localizou o endereço onde a ex-parlamentar estava escondida em Roma e acionou a polícia.
“Liguei para a Polícia Nacional para informar o endereço. Duas horas e meia depois, confirmaram que ela estava no apartamento e aplicaram o pedido da Interpol”, relatou à época.
A captura foi realizada em operação conjunta da Polícia Federal brasileira, da Interpol e das autoridades italianas.
Nesta quinta-feira (26), em entrevista à Fórum, ele comentou a decisão da Justiça italiana sobre a extradição. “Na Itália ninguém é intocável se cometeu crimes”, afirmou. Confira a entrevista completa neste link.
Mais uma condenação no STF
Além da condenação por invadir os sistemas do CNJ, Zambelli também foi condenada em outro processo no STF, acumulando mais de 15 anos de prisão.
A segunda condenação impôs pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso remete a um episódio ocorrido em outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, durante o segundo turno das eleições.
LEIA TAMBÉM
URGENTE: Justiça da Itália decide extraditar Carla Zambelli, que deve ser presa no Brasil
“Ninguém está acima da lei”: deputado italiano que localizou Zambelli reage à extradição
