sexta-feira, agosto 28

Deflação no Brasil: Alimentos com preços em queda segundo o IPCA 15 do IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (26) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou um recuo de 0,40% em agosto. Essa variação representa uma diminuição de 0,46 ponto percentual em comparação à taxa de 0,06% observada em julho.

Com os dados de agosto, o índice acumula um crescimento de 3,09% em 2026. No intervalo de um ano, a inflação ficou em 4,24%, registrando queda em relação aos 4,52% do período anterior. Em agosto do ano passado, o IPCA-15 havia mostrado uma redução de 0,14%.

A deflação foi predominantemente observada em três categorias: Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas, que tiveram grande impacto no resultado negativo do mês.

Influência da conta de luz na deflação

No grupo Habitação, houve um retrocesso de 1,41%, contribuindo com -0,22 ponto percentual para o índice geral. A principal causa desse resultado foi a redução de 6,25% na energia elétrica residencial, que resultou em um impacto negativo de 0,26 ponto percentual no IPCA-15.

A diminuição dos preços deve-se à inclusão do Bônus de Itaipu, que foi creditado nas faturas de energia emitidas no mês de agosto.

Ainda que tenha ocorrido essa queda nos preços, a bandeira tarifária amarela permaneceu ativa no período, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Além disso, reajustes nas tarifas foram registrados em várias capitais: Curitiba teve um aumento de 19,55%, Porto Alegre viu um acréscimo de 14,89% em uma das concessionárias e São Paulo registrou uma alta de 8,85% em uma das distribuidoras.

No tocante à água e esgoto, os preços subiram 0,34%, enquanto o gás encanado teve um aumento de 0,81%.

Diminuição nos preços das passagens aéreas e combustíveis

A categoria Transportes mudou sua tendência ao passar de uma alta de 0,11% em julho para uma queda de 1% em agosto. Essa variação foi fortemente influenciada pela redução nas passagens aéreas (-13,30%) e pelos combustíveis (-1,43%).

Dentre os combustíveis analisados, o etanol teve uma diminuição de 3,63%, a gasolina caiu 1,23% e o óleo diesel reduziu seu preço em 0,71%. Por outro lado, o gás veicular ficou mais caro em 1,42%.

As tarifas dos táxis também aumentaram em média 0,20%, impulsionadas por um reajuste específico na cidade de Belo Horizonte que ocorreu no dia 8 de agosto e totalizou 8,42%.

Acessibilidade a alimentos: tomate e batata mais baratos

No grupo Alimentação e bebidas houve uma queda geral de 0,57%. A alimentação realizada dentro do lar apresentou um declínio de 0,97%, com destaque para alguns produtos essenciais da cesta básica.

Dentre eles, o tomate sofreu uma redução significativa de 27,38%, enquanto a batata-inglesa caiu 25,14%, e a cenoura teve uma diminuição de 17,05%. O café moído também tornou-se mais acessível com uma queda de 2,31%.

No entanto, alguns produtos apresentaram altas notáveis: o leite longa vida subiu 3,41%, assim como as frutas que ficaram mais caras em média 3,11%.

A alimentação fora do lar também desacelerou sua alta ao passar de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. Os lanches subiram apenas 0,75%, enquanto as refeições tiveram um aumento modesto de 0,25%.

Cigarros e educação elevam índices inflacionários

Nem todos os grupos observaram quedas nos preços. As despesas pessoais aumentaram 0,66%, principalmente devido ao reajuste aplicado aos preços dos cigarros (+5.56%) a partir do dia primeiro deste mês.

A categoria educação também viu um aumento médio de 0.46%. Os cursos regulares subiram cerca de 0.52%, com incrementos específicos no ensino fundamental (0.58%) e superior (0.49%).

Cursos diversos tiveram alta média de 0.36%, sendo os cursos para idiomas os que mais impactaram com um aumento próximo a 0.92%.

No setor saúde e cuidados pessoais houve um aumento global médio aproximado de 0.40%. Entre os itens destacados estão produtos para higiene pessoal (+0.47%) e planos de saúde (+0.42%). Este último inclui ajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que podem chegar até 5.11%% para contratos firmados após a Lei nº .

Todas as regiões mostram recuo nos índices

Todas as 11 áreas avaliadas pelo IBGE apresentaram variações negativas durante agosto.

A maior redução foi registrada em Curtiba (-0.82%), influenciada principalmente pela baixa nas passagens aéreas (-15.34%) e na energia elétrica residencial (-4.83%).

No caso da cidadeSão Paulo, o IPCA-15 caiu apenas -0.06%. Este índice foi pressionado por aumentos como o do leite longa vida (+4.66%) e serviços relacionados ao conserto automotivo (+2.97%).

Duração da coleta dos dados

A coleta dos dados para calcular o IPCA-15 referente ao mês passado se deu entre os dias16 julho e14 agosto2026 , comparando-os com os valores obtidos entre17 junhoe15 julho .

O índice monitora as condições econômicas das famílias cuja renda varia entre1e40 salários mínimos . A pesquisa abrange áreas metropolitanas como Rio Janeiro , Porto Alegre , Belo Horizonte , Recife ,São Paulo , Belém ,Fortaleza ,Salvador Curitiba alémde Brasília Goiânia .

A metodologia utilizada é idêntica àquela aplicada no IPCA , considerado o principal indicador da inflação nacional . A distinção reside no período coletado bem como na abrangência geográfica .