O deputado estadual Guto Zacarias, liderança vinculada ao MBL e atualmente afiliado ao Missão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por violência psicológica contra a mulher, conforme estabelecido na Lei Maria da Penha. Uma matéria exclusiva revelou que a acusação formal foi feita em 17 de julho de 2025, e o processo está em segredo de Justiça.
Segundo a reportagem, que teve acesso aos autos e ao boletim de ocorrência registrado pela ex-companheira em 12 de fevereiro de 2025, a mulher, à época com 22 anos, relatou ter sofrido pressão intensa e coação para interromper uma gravidez no primeiro semestre de 2024. Zacarias e a vítima estiveram juntos entre 2021 e abril de 2024.
O parlamentar, ex-vice-líder do governador Tarcísio de Freitas na Alesp e pré-candidato a deputado federal, adota um discurso conservador em suas plataformas. A legenda de Zacarias mudou durante o período em que o caso veio à tona. A reorganização política do grupo ligado ao MBL também está em destaque.
Coerção e constrangimento durante a gestação
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o deputado tentou controlar as ações da jovem por meio de “manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados, inclusive durante o período gestacional da vítima”. A violência psicológica praticada por Zacarias é descrita como “constante e devastadora”, resultando em forte tensão e abalo emocional para a mulher.
A vítima enfrentou crises severas durante a gestação devido às ações do denunciado. Os relatos incluem episódios de pânico, insônia, sensação de perseguição e medo constante de que o deputado invadisse sua residência para forçá-la a interromper a gravidez.
Sugestões de procedimentos e recuo da ex-companheira
Em sua declaração à polícia, a ex-companheira detalhou que Guto Zacarias chegou a sugerir o uso de comprimidos abortivos, a busca por clínicas clandestinas e outros métodos. No entanto, após a publicação da reportagem, a mulher solicitou o arquivamento do processo, recuando das acusações e defendendo o parlamentar.
O partido Missão ampliou sua presença institucional, acompanhando o avanço do grupo do MBL. Zacarias ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. O espaço está aberto para a defesa se pronunciar.
