terça-feira, julho 21

Desemprego no Brasil: Lula atinge novo marco em março de 2026

No encerramento do trimestre móvel em março de 2026, a taxa de desocupação subiu para 6,1%, apresentando um aumento de 1,0 ponto percentual em relação aos dados do trimestre anterior, que registrou 5,1%. Entretanto, esse índice ainda é 0,9 p.p. inferior ao observado no mesmo período do ano passado, março de 2025, quando a taxa foi de 7,0%. As informações são originárias da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que foi divulgada hoje pelo IBGE. Apesar do crescimento na comparação trimestral, este é o menor índice de desocupação já registrado para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica da pesquisa em 2012. Vale destacar que o indicador não ultrapassava a marca dos 6,0% desde o trimestre finalizado em maio de 2025.

A população sem emprego atingiu a marca de 6,6 milhões de pessoas, refletindo um aumento de 19,6% no trimestre – ou seja, mais 1,1 milhão de indivíduos à procura de trabalho. Na comparação anual, no entanto, houve uma queda de 13,0% na quantidade de pessoas em busca de emprego, representando menos 987 mil cidadãos.

O total de trabalhadores no Brasil ficou em 102 milhões. Esse número representa uma diminuição de 1,0% ou cerca de 1 milhão a menos em relação ao trimestre anterior; por outro lado, é uma alta de 1,5% (mais 1,5 milhão) se comparado ao mesmo período do ano passado.

Setores Comercial e Público enfrentam perdas significativas

Ao se observar o trimestre anterior, não foram registrados aumentos na quantidade de pessoas empregadas nos dez setores analisados pela PNAD Contínua do IBGE. Três setores apresentaram quedas: Comércio (-1,5%, ou menos 287 mil trabalhadores), Administração Pública (-2,3%, ou menos 439 mil) e Serviços Domésticos (-2,6%, ou menos 148 mil). Esses três segmentos juntos resultaram na perda de mais de 870 mil postos de trabalho na comparação trimestral.

Apesar dessas perdas setoriais, dois grupos mostraram crescimento no número de ocupados quando comparados ao mesmo período do ano anterior: Informação e Comunicação e Atividades Financeiras e Profissionais (+3,2%, ou mais 406 mil) e Administração Pública (+4,8%, ou mais 860 mil). Na comparação anual geral, apenas o setor Serviços Domésticos apresentou redução (-3,6%, ou menos 202 mil).

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora das pesquisas domiciliares do IBGE, “a diminuição no número total de trabalhadores ocorreu em áreas que normalmente apresentam essa característica; seja pela tendência sazonal negativa no Comércio nesse período do ano; seja pela finalização dos contratos temporários nas áreas da Educação e Saúde nos municípios.”

Diminuição da informalidade nas duas análises

<pDurante o trimestre que terminou em março deste ano, a taxa de informalidade entre os trabalhadores alcançou os 37,3%, totalizando aproximadamente 38 milhões de trabalhadores nessa condição. Este número é inferior aos índices anteriores: era de 37,6% (ou cerca de 38 milhões) no trimestre anterior e também abaixo dos 38% (ou aproximadamente 38 milhões) registrados em março do ano passado.

O número total de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo os trabalhadores domésticos) fixou-se em cerca de 39 milhões. Não houve alterações significativas neste número trimestralmente; contudo houve um aumento anual significativo de 1,3% (equivalente a mais 504 mil pessoas com carteira assinada). Por sua vez, o número daqueles empregados sem carteira assinada caiu em torno de 2,1% (menos 285 mil), somando agora aproximadamente 13 milhões. Em comparação com o ano anterior essa categoria não apresentou variação estatisticamente relevante.

A quantidade total dos trabalhadores autônomos permaneceu estável neste último trimestre em torno dos 26 milhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior houve um crescimento anual positivo da ordem de 2,4%, resultando em mais 607 mil pessoas atuando como autônomos. A analista do IBGE ressalta que “a queda observada no número total dos trabalhadores informais se deve à redução dos empregados sem carteira assinada e daqueles autônomos sem registro.”

Massa salarial atinge novo recorde: R$374 bilhões

A soma das remunerações médias reais dos trabalhadores brasileiros atingiu um novo pico no trimestre finalizado em março: R$374 bilhões. Esse valor se manteve estável durante o trimestre e cresceu impressionantes 7% (ou R$24 bilhões) quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

O rendimento médio real habitual também estabeleceu um novo recorde ao alcançar R$3.722. Esse valor registrou um aumento tanto trimestralmente (1.6%) quanto anualmente (5.5%), levando em conta a inflação desses períodos. Comparando com o trimestre anterior houve incremento nos rendimentos médios em dois dos dez setores estudados: Comércio (+3%, ou R$86 a mais) e Administração Pública (+2.5%, ou R$127 adicionais). Os demais setores não demonstraram mudanças significativas.

Adriana Beringuy observa que “o aumento nos rendimentos ocorreu nas atividades que diminuíram a participação dos seus trabalhadores informais ou com menores salários. Assim sendo, frente à base comparativa trimestral onde havia maior presença da ocupação informal , a média salarial atual teve uma elevação”.

Detalhes sobre a pesquisa

A PNAD Contínua é a principal ferramenta para acompanhar as dinâmicas da força laboral brasileira. Sua amostragem abrange cerca de 211 mil domicílios distribuídos pelos estados e pelo Distrito Federal e é realizada trimestralmente por aproximadamente dois mil entrevistadores vinculados às mais de quinhentas agências do IBGE.

Em decorrência da pandemia causada pela Covid-19 foi implementada uma coleta telefônica das informações desde março de 2020; já em julho do ano seguinte retornou-se ao método presencial.

A identidade dos entrevistadores pode ser confirmada através do site Respondendo ao IBGE ou pelo telefone da Central (0800-721-8181), onde podem ser fornecidos dados como matrícula e RG ou CPF para verificação.

Os resultados mensais da PNAD Contínua estão disponíveis no Sidra e a próxima divulgação referente ao trimestre encerrado em abril ocorrerá em maio dia vinte e oito.