A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) revelou sua intenção de destinar R$ 500 mil em emendas parlamentares para a preservação do Clube da Esquina, localizado em Belo Horizonte, além de erigir uma estátua em homenagem ao compositor Lô Borges, que faleceu em novembro de 2025. Este anúncio surgiu após o vandalismo que atingiu o memorial do movimento musical no bairro Santa Tereza, onde foi encontrado tinta vermelha na madrugada da última sexta-feira (23).
Após visitar o local do vandalismo, situado na interseção das ruas Divinópolis e Paraisópolis, a deputada gravou um vídeo defendendo a proteção do patrimônio cultural mineiro. Conforme informações divulgadas por sua assessoria, os recursos destinados também servirão para reformas no espaço histórico e para projetos voltados à preservação da memória dos artistas associados ao movimento.
Sobre o ato de vandalismo, Duda Salabert qualificou a ação como um ataque político à cultura de Minas Gerais. “Isso não é apenas um picho; é um atentado político contra nossa cultura e contra o que o Clube da Esquina representa para a América Latina”, declarou ao Estado de Minas.
Embora tenha anunciado a destinação das emendas, ainda não foram apresentados documentos que comprovem o empenho dos R$ 500 mil ou indiquem qual órgão será responsável pelas obras.
Duda Salabert defende a memória do Clube da Esquina
A proposta inclui a criação de uma homenagem a Lô Borges, um dos compositores fundadores do Clube da Esquina, além de melhorias na estrutura do memorial.
Vale lembrar que o espaço já havia recebido uma revitalização em dezembro de 2024, projeto elaborado pelos arquitetos Chico Casarões e Bruna de Sá. Essa reforma abrangeu a recuperação da fachada e a criação de uma calçada com homenagens a músicos vinculados ao movimento.
A dedicação de Duda Salabert à preservação do legado do Clube da Esquina se reflete também em ações anteriores durante seu mandato parlamentar.
No dia 3 de novembro de 2025, apresentou o Requerimento 213/2025, contendo uma moção de aplauso à contribuição musical e poética de Lô Borges. Essa homenagem foi aprovada pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados em 12 de novembro daquele ano.
No dia 25 de fevereiro de 2026, durante uma reunião da Comissão de Cultura, Duda homenageou Márcio Borges, irmão de Lô e compositor reconhecido, pela sua recente eleição para a Academia Mineira de Letras. Essa manifestação está documentada nas atas oficiais da sessão.
Na ocasião, a deputada ressaltou o impacto que Márcio Borges teve na música brasileira e celebrou sua entrada na instituição literária mineira. “A obra do Márcio Borges já se imortalizou como fundamental para a construção do Clube da Esquina”, afirmou.
Investigação sobre o vandalismo no Clube da Esquina
No dia do ataque, o memorial apareceu coberto por manchas vermelhas na manhã da última sexta-feira (23), coincidentemente dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. Câmeras instaladas nas proximidades capturaram imagens de um suspeito que teria chegado ao local em um carro branco por volta das 4h50.
As gravações mostram o homem descartando materiais nas proximidades antes de voltar ao veículo. No local foram encontrados uma luva e um recipiente contendo tinta.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou estar investigando as circunstâncias e a autoria desse ato vandalismo. A perícia foi chamada para coletar evidências que possam ajudar na identificação do responsável.
Conforme uma moradora relatou à imprensa, ela ouviu um grito dizendo “Fora, Lula” por volta das 7h daquela manhã. Isso levantou suspeitas sobre possíveis motivações políticas por trás do ato; no entanto, ainda não há evidências concretas ligando esse grito ao autor do vandalismo.
Yê Borges, irmão de Lô Borges, expressou sua tristeza pelo ocorrido e associou o incidente ao clima atual de intolerância política. Ele enfatizou que as diferenças devem ser resolvidas através do diálogo e pediu respeito aos resultados eleitorais.
Duda Salabert interpretou o ato como um ataque à cultura local. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), também repudiou o vandalismo, embora tenha declarado não acreditar que ele tenha sido motivado por questões eleitorais. Até agora, não há confirmação sobre os motivos por trás desse crime.
A Revista Fórum já havia destacado esse ato vandálico contra o memorial, gerando reações entre moradores, músicos e admiradores do Clube da Esquina.
O legado deixado por Lô Borges e pelo Clube da Esquina
O ataque ocorreu poucos dias antes da celebração dos 84 anos de Milton Nascimento, prevista para segunda-feira (26). O cantor é amplamente reconhecido como um dos principais ícones do movimento que emergiu em Belo Horizonte nas décadas de 1960 e 1970.
Ao lado de Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta e Fernando Brant foram alguns dos artistas que colaboraram para construir uma identidade musical caracterizada pela fusão entre música popular brasileira, rock e jazz com influências regionais diversas.
Lançado em 1972 por Milton Nascimento e Lô Borges, o álbum Clube da Esquina se tornou referência na música brasileira e alavancou internacionalmente a produção musical mineira.
O local atacado é considerado um marco na história desse movimento cultural. Na esquina no bairro Santa Tereza era onde muitos músicos se reuniam durante suas juventudes para cultivar laços pessoais e artísticos que resultaram em canções imortais conhecidas até hoje.
Pós-vandalismo, moradores e artistas organizaram esforços para defender o memorial. O Coletivo Alvorada convocou um mutirão para limpeza neste sábado (24), seguido por uma ocupação artística no local histórico.
A proposta apresentada por Duda Salabert visa ampliar as homenagens aos músicos envolvidos com o movimento e restaurar o espaço afetado pelo vandalismo. A implementação dessas intervenções dependerá da formalização dos recursos anunciados.
