Desde o recomeço do conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro de 2026, as representações diplomáticas iranianas ao redor do mundo têm se mobilizado de maneira coordenada, especialmente na plataforma X, para ironizar os Estados Unidos e o presidente Donald Trump.
Recentemente, essas embaixadas impulsionaram uma narrativa nas redes sociais que alega que o Irã lançou um ataque contra um centro de manipulação climática localizado nos Emirados Árabes Unidos, supostamente alterando os padrões climáticos da região.
A primeira embaixada a trazer à tona essa questão foi a do Irã em Cabul, no Afeganistão, que fez uma postagem sobre o tema, a qual foi posteriormente removida.
A partir desse ponto, a discussão ganhou força nas redes devido a fenômenos climáticos inusitados, como chuvas intensas no Iraque, Irã e Afeganistão, que não correspondem aos padrões esperados para essa época do ano.
A embaixada iraniana na Bulgária compartilhou imagens do reservatório de Darian, na província de Paveh. O local, que estava seco há sete anos, agora transbordou após as fortes chuvas:
Uma das principais barragens do Irã, com capacidade para mais de 400 milhões de metros cúbicos, está completamente cheia e começou a transbordar após a ocorrência de chuvas intensas.
https://x.com/IRANinBULGARIA/status/2045423717178626428?s=20
Um presente divino?
A conta da Guarda Revolucionária do Irã publicou imagens de chuva caindo sobre uma mesquita e comentou:
Chuva, chuva e mais chuva. Após anos sem água. Quem sabe? Pode ser um presente de Deus por nossa resiliência contra o Diabo!
https://x.com/IRGC_Press/status/2047325793823740309?s=20
A temática se tornou popular entre os usuários da internet. Várias contas começaram a documentar eventos climáticos considerados atípicos e a atribuí-los à ação militar iraniana.
Meteorologistas afirmam que esses eventos são típicos da sazonalidade climática.
No entanto, muitos internautas mencionam o programa HAARP (High-frequency Active Auroral Research Program), um projeto baseado no Alasca que utiliza ondas de alta frequência para estudar a ionosfera.
Esse programa é frequentemente associado a teorias da conspiração que sugerem sua capacidade de alterar o clima.
Adicionalmente, o Irã já implementou técnicas de semeadura de nuvens para combater secas recorrentes que ameaçam sua agricultura.
Usuários das redes sociais espalham informações alegando que os Estados Unidos e aliados dos países do Golfo Pérsico têm trabalhado por anos para induzir secas no lado norte do Golfo Pérsico, afetando regiões da Turquia, Iraque, Irã e Afeganistão.
A Operação Popeye
Ainda que não haja evidências concretas para as alegações atuais, existe um precedente histórico relevante.
No contexto da guerra do Vietnã, os Estados Unidos realizaram a denominada Operação Popeye com o intuito de prolongar as monções em áreas específicas controladas pelo inimigo.
A meta era gerar chuvas e lama ao longo da trilha de Ho Chi Minh – uma vasta rede logística utilizada pelos Vietcongs para transportar armas e munições vindas dos vizinhos Laos e Camboja.
Ho Chi Minh foi um importante líder revolucionário vietnamita conhecido por sua luta contra as forças coloniais francesa e estadunidense.
O projeto secreto americano teve sua base na Tailândia. A partir desse local, aviões militares dos EUA dispersavam iodeto de prata e chumbo nas nuvens sobre regiões do Vietnã, Laos e Camboja.
O lema da operação era “faça lama, não faça guerra”, com o objetivo de aumentar o período chuvoso anual em 30 a 45 dias. Não existem estudos conclusivos que comprovem a eficácia dessa estratégia.
