sexta-feira, agosto 28

Marcia Tiburi critica Arthur do Val e o chama de “sem cérebro” após ofensas a Natália Boulos

No Fórum Onze e Meia realizado na última quinta-feira (27), a filósofa e escritora Marcia Tiburi expressou sua indignação em relação ao ex-deputado Arthur do Val (Missão). Ele fez uma piada ofensiva sobre a avó ucraniana da candidata a deputada federal por São Paulo e coordenadora do MTST, Natália Boulos.

Durante uma conversa onde Natália mencionava a origem de sua família, Arthur, conhecido como “Mamãe Falei”, interpelou com “apresenta pra nós”. Essa fala remete a um episódio polêmico de 2022, quando áudios dele contendo comentários inapropriados sobre mulheres ucranianas geraram grande revolta e resultaram na cassação de seu cargo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em análise crítica, Marcia afirmou: “Ele estava fazendo uma cena. Esse cara é um descerebrado. Tentava imitar Natália para desestabilizá-la. Era um tipo de gaslighting performático que ele estava promovendo. Ela pode processá-lo pela violência psicológica que ele exerceu naquele momento”.

A filósofa ainda comentou sobre a frase “apresenta pra gente”, destacando as duas possibilidades: ou Arthur não prestou atenção no que Natália dizia, visto que sua avó não se encaixava no perfil que ele considera atraente, ou ele simplesmente estava tentando realizar essa performance para desestabilizá-la. “Ela foi muito corajosa e enfrentou-o diretamente”, observou.

Marcia não poupou críticas ao ex-deputado: “Não é aceitável dar espaço para um indivíduo como o Mamãe Falei. Ele é extremamente negativo, chega a ser pior que Kim Kataguiri”.

Perseguições sofridas

<pAlém disso, Marcia recordou os constantes ataques que sofreu por membros do MBL desde 2018. "Kim Kataguiri faz parte da grande perseguição que enfrentei desde o início daquele ano. Um jornalista do Sul, Juremir Machado, insistiu muito para eu participar de uma entrevista com ele, à qual normalmente comparecia para falar sobre meus livros”, relatou.

Ao chegar ao programa, Marcia percebeu as intenções por trás da insistência. “Eu estava lá sem saber quem estaria presente quando o MBL apareceu com seus celulares filmando reações – essa é uma tática deles. Eles roubam sua imagem e criam todo um alvoroço nas redes sociais”, explicou.

Ela reconheceu Kataguiri durante a gravação e, ao notar a armadilha montada, decidiu deixar o local. “Falei algumas verdades para Juremir; depois ele me ligou pedindo desculpas. Respondi: ‘você está me diminuindo e rebaixando seu programa ao se associar a esse tipo de grupo neofascista’”, contou.

“Após isso, eles iniciaram uma perseguição contra mim, colocando cartazes com meu rosto como ‘Procura-se’ no site do MBL e desencadeando ataques generalizados. Recebi ameaças de morte e enfrentei muita hostilidade; meus lançamentos de livros foram invadidos e muitos eventos foram cancelados em 2018”, descreveu.

Diante da situação, Marcia se viu forçada a deixar o Brasil. “Tive que me esconder devido ao medo dos ataques. No final de 2018, fui para os Estados Unidos em busca de abrigo em uma instituição dedicada à proteção de escritores perseguidos. Além disso, enfrentei um processo judicial do MBL por ter dado diversas entrevistas para veículos progressistas”, acrescentou.

Ponto de vista sobre Renan Santos

<pMarcia Tiburi também teceu críticas ao candidato à presidência pelo MBL, Renan Santos. “Vejo-o como alguém bastante perigoso; o partido Missão apresenta riscos porque é bem organizado e age sem escrúpulos. Renan Santos tem ambições altas; não se contenta em ser deputado ou vereador; ele mira diretamente na presidência da República e sabe mobilizar suas estratégias. É um fascista”, definiu.

Análise sobre Flávio Bolsonaro

<pQuanto ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Marcia comentou: “Sempre achei que a candidatura de Flávio Bolsonaro não chegaria muito longe e continuo acreditando que há chances de que algo impeça seu progresso. Para se manter como candidato, ele precisa estabelecer muitas conexões políticas; depende da proteção do STF e das alianças com os apoiadores do pai”.

<p“Flávio ocupa uma posição complicada; precisa equilibrar entre ser palatável e manter sua identidade bolsonarista. Ele não consegue encontrar essa fórmula porque um Bolsonaro palatável não existe realmente. Os apoiadores esperam um Bolsonaro agressivo e Flávio não consegue reproduzir essa agressividade suficiente”, concluiu.

Confira a entrevista completa com Marcia Tiburi