terça-feira, julho 21

Vídeo de polícia executando mulher em SP provoca indignação nacional

Uma tragédia de proporções absurdas e sem justificativa é registrada em tempo real. Imagens das câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo revelam a frieza e a falta de preparo que levaram à morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na Cidade Tiradentes, localizada na Zona Leste da capital paulista. O que deveria ser uma operação de patrulhamento comum rapidamente se transformou em uma cena de execução sumária, desencadeada por um banal incidente de trânsito e agravada por uma política de segurança pública sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem gerado alarmantes índices de letalidade.

Na madrugada da última sexta-feira (3), por volta das 2h58, Thawanna estava caminhando junto com seu marido, Luciano Gonçalves dos Santos, pela Rua Edimundo Audran. No local, a precariedade urbana é evidente, com calçadas estreitas que forçam os pedestres a compartilhar o asfalto com os veículos. Foi nesse contexto que uma viatura comandada pelo soldado Weden Silva colidiu com o braço de Luciano ao passar com o retrovisor.

A seguir, a situação tornou-se ainda mais agressiva. Em vez de prestar socorro ou verificar a condição do pedestre atingido, o soldado Weden deu marcha a ré e começou a proferir ofensas. “A rua é lugar para você estar andando, caaralho?”, gritou o policial. Ao ouvir Thawanna tentar manter a calma com a frase “com todo o respeito, vocês que bateram em nós”, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos e ocupando o banco do passageiro ao lado de Weden, desceu do veículo já em um tom confrontacional.

Relatos sobre agressões e falta de câmeras

Pessoas que testemunharam os acontecimentos trazem à tona detalhes ainda mais perturbadores. Segundo relatos colhidos no local, a soldado Yasmin não apenas entrou em confronto verbal, mas também golpeou Thawanna com um murro e um chute nas partes íntimas antes de disparar sua arma. Em um impulso defensivo, Thawanna tentou afastar a mão da policial; nesse momento, Yasmin recuou e disparou contra o peito da mulher.

Um aspecto técnico agrava ainda mais a falta de transparência: embora Yasmin estivesse atuando na corporação há cerca de três meses, ela não utilizava câmera corporal. A explicação oficial para essa omissão é que, como recém-formada, não tinha acesso à senha necessária para operar o equipamento. O crime só foi registrado porque seu parceiro Weden estava utilizando um dispositivo que capturou tanto o som do disparo quanto a confissão imediata da colega: “Ela deu um tapa na minha cara”, justificou a soldado ao ser questionada sobre sua ação pelo parceiro.

Desespero e demora no socorro

A brutalidade não terminou no momento do disparo. Thawanna ficou caída no chão, agonizando enquanto os policiais focavam na contenção do marido. Luciano relatou que mesmo em estado de choque e sem representar perigo algum, foi alvo de spray de pimenta e mantido sob ameaça armada.

O atendimento médico levou exatos 32 minutos para chegar ao local. As imagens mostram uma segunda viatura chegando às 3h; no entanto, os paramédicos só apareceram às 3h32. Durante esse tempo crítico, a vida de Thawanna se esvaiu diante da inércia dos agentes responsáveis pela sua proteção. Ela foi então levada ao Hospital Tiradentes, onde sua morte foi confirmada.

Assista ao vídeo:

https://x.com/BlogdeDaltro/status/2042243687267119461

A sangrenta herança da gestão Tarcísio/Derrite

A execução de Thawanna representa o mais recente reflexo alarmante de uma tendência estatística em São Paulo. Desde que Tarcísio de Freitas assumiu o governo estadual e Guilherme Derrite tornou-se secretário da Segurança Pública (SSP), o estado abandonou abordagens voltadas para redução de danos em favor de um modelo que prioriza confrontos diretos.

Os dados compilados pelo Ministério Público (Gaesp-MPSP) são claros e preocupantes:

Aumento Geral: As mortes causadas por policiais subiram significativamente: foram 355 em 2022 para 702 em 2024 — um aumento impressionante de 98%.

Letalidade em Serviço: Quando se considera apenas as mortes ocorridas durante operações policiais (como no caso envolvendo Thawanna), houve um salto ainda maior: passaram-se de 233 para 600 mortes — um crescimento alarmante de 157%.

A morte da residente da Cidade Tiradentes provocou protestos intensos na região, onde moradores expressaram suas denúncias sobre um cotidiano marcado pela opressão. Enquanto a SSP informa que os policiais envolvidos foram afastados e que o Departamento de Homicídios (DHPP) investiga os fatos, a sociedade brasileira observa estarrecida como situações cotidianas podem se transformar em sentenças fatais executadas por aqueles cuja função deveria ser garantir a lei.