O desenvolvimento da marinha chinesa tem gerado discussões intensas no cenário estratégico global. Com a maior frota naval do mundo em termos de quantidade de embarcações, estimada em mais de 370 navios e submarinos pelo Pentágono, a China está acelerando sua presença em áreas sensíveis do Indo-Pacífico.
Em um artigo recente publicado em um veículo vinculado ao Partido Comunista, o presidente Xi Jinping defendeu a expansão da economia marítima, o avanço tecnológico na construção naval, o desenvolvimento de portos e a proteção dos interesses marítimos chineses. Essa posição reforça a importância do domínio marítimo na estratégia de poder de Pequim.
A capacidade industrial é a base desse progresso. Com estaleiros operando em ritmo acelerado e liderança na construção naval civil, a China lançou 39 navios de guerra entre 2019 e 2023, incluindo destróieres, fragatas, embarcações anfíbias e navios auxiliares.
Expansão e projeção de poder
Além do aumento da quantidade de embarcações, a China está investindo em modernização. O porta-aviões Fujian, incorporado em novembro de 2025, representa um avanço tecnológico ao adotar catapultas eletromagnéticas, o que amplia sua capacidade de operação com aeronaves mais pesadas e avançadas. Estima-se que Pequim possa chegar a ter até nove porta-aviões no futuro.
A estratégia naval chinesa busca ultrapassar limites históricos, operando para além da chamada primeira cadeia de ilhas, um arco que vai do Japão às Filipinas e que por muito tempo foi uma barreira à projeção de poder da China. Exercícios no Mar das Filipinas e próximo ao Estreito de Taiwan mostram essa expansão.
Esse avanço é sustentado por um aumento de recursos. Para 2026, a China anunciou um crescimento de 7% no orçamento de defesa, chegando a cerca de € 250 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão).
Pressão e disputa regional
A presença chinesa está se intensificando em áreas disputadas, como o Mar da China Meridional. Além da Marinha, Pequim utiliza a guarda costeira como forma de pressão, em operações de “zona cinzenta” que evitam o confronto direto, mas mantêm uma presença constante.
Os Estados Unidos ainda possuem vantagens significativas, como porta-aviões nucleares, uma rede global de bases e vasta experiência operacional. No entanto, mesmo assim, a rápida expansão da frota chinesa está alterando o equilíbrio naval na Ásia e gerando preocupações entre os países da região.
