O relançamento do álbum “Elis” (1973), um dos marcos da trajetória de Elis Regina, gerou uma reação do maestro César Camargo Mariano, que foi o responsável pela direção musical, arranjos e pelo piano na versão original. Ele emitiu uma notificação à Universal Music, a empresa encarregada da nova edição.
A nova versão do disco passou por um processo de remixagem e remasterização, realizado por João Marcelo Bôscoli — filho de Elis — em colaboração com o engenheiro de som Ricardo Camera. Este projeto reabriu discussões sobre os limites das intervenções em obras clássicas.
Mariano expressou que deveria ter sido consultado antes das modificações no material. Para ele, essas mudanças comprometem a autenticidade do álbum original. “O disco foi verdadeiramente mutilado”, afirmou o músico.
A insatisfação também ganhou espaço nas redes sociais. O maestro compartilhou suas preocupações publicamente, mencionando que recebeu diversas solicitações para se manifestar sobre a nova edição e respondeu: “Estou sendo procurado para dar minha opinião sobre o lançamento da nova versão” e completou: “E respondo que ouvi, com tristeza.”
Capa do álbum “Elis 73” remixado/Foto: Divulgação
Qualidade sonora questionada
<pPor outro lado, João Marcelo Bôscoli defendeu sua abordagem. Em conversa com o jornal O Globo, destacou que a qualidade sonora do álbum sempre foi uma preocupação, inclusive para a própria Elis Regina. Segundo ele, o objetivo foi corrigir limitações técnicas da época sem comprometer a essência artística da obra.
<p“Ela não ouvia o som que tinha no estúdio quando escutava o álbum em casa. Ela não gostava de ouvir os álbuns”, revelou o produtor. Ele acrescentou que a base musical original foi preservada durante o processo de atualização.
A polêmica em torno do relançamento está sendo acompanhada legalmente pela advogada Deborah Sztajnberg.
