terça-feira, julho 21

Ascensão de 30% em três anos: a conquista do agronegócio brasileiro em um setor vital

No ano de 2025, os países do continente africano realizaram importações de produtos do agronegócio brasileiro que ultrapassaram a marca de US$ 12,1 bilhões, com destaque para carnes, cereais e açúcar.

Esse montante representa um aumento de 30% em comparação a 2022, quando as importações totalizaram US$ 9,3 bilhões. Esses números não apenas refletem um crescimento no comércio, mas também a afirmação da África como um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro.

O crescimento observado não ocorreu por acaso. Desde o ano de 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tem estabelecido pelo menos 18 acordos bilaterais com diversas nações africanas. Essa abordagem combina o comércio à cooperação técnica, resultando em uma rápida expansão das relações comerciais.

O conceito central dessa aproximação é a cooperação Sul-Sul, que envolve a troca de saberes, tecnologias e experiências entre países em desenvolvimento que enfrentam desafios semelhantes. Para a África, o Brasil possui uma oferta única: uma longa trajetória em agricultura tropical, correção de solos ácidos, manejo de pastagens e fortalecimento de sistemas de defesa agropecuária — tudo isso desenvolvido em condições climáticas análogas às do continente africano.

Os principais esforços estão concentrados em dois programas. O Mais Alimentos África, revitalizado em 2023 nos países de Moçambique e Angola, proporciona crédito, tecnologia e suporte técnico a pequenos agricultores. Por outro lado, o Projeto Cerrado Africano adapta metodologias brasileiras para áreas de savana — abordando solos ácidos, pastagens tropicais e organização produtiva em regiões com características similares ao Cerrado brasileiro.

Em fevereiro de 2026, foi criada uma estrutura permanente para essa agenda com a inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África. Este escritório é coordenado pela Embrapa e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com os ministérios da Agricultura do Brasil e da Etiópia. A implementação dessa presença contínua substitui as missões temporárias e abre espaço para iniciativas mais duradouras nas áreas de agricultura digital, recuperação ambiental, sistemas sustentáveis e colaborações com bancos de fomento africanos.

A movimentação diplomática segue acompanhando o ritmo das transações comerciais. Em 2025, autoridades e ministros provenientes de todo o continente participaram do II Diálogo Brasil-África realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Os temas discutidos incluíram cooperação no setor agropecuário, segurança alimentar, transferência tecnológica e financiamento.

Entretanto, os desafios persistem: questões logísticas, barreiras climáticas, diferenças linguísticas e a necessidade constante de adaptar as tecnologias às realidades locais ainda são obstáculos significativos. Contudo, a experiência dos últimos três anos indica que o agronegócio brasileiro já conseguiu estabelecer um caminho sólido na África — sem intenções de retroceder.