terça-feira, julho 21

Receita Federal investiga “bancos clandestinos” do PCC que movimentaram R$ 26 bilhões na nova etapa da Operação Carbono Oculto

Nesta quinta-feira (28/5), o Ministério Público de São Paulo, por meio do grupo de atuação e combate ao crime organizado (Gaeco), em colaboração com a Receita Federal, iniciou a Operação Fluxo Oculto. Essa ação é uma continuidade das investigações da Operação Carbono Oculto.

Atualmente, 55 mandados de busca e apreensão estão sendo executados, com o suporte dos GAECOs dos Ministérios Públicos do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

De acordo com informações do Gaeco, as estruturas investigadas têm utilizado um balcão financeiro marginal que compartilha canais de escoamento e métodos de lavagem de dinheiro. Algumas dessas fintechs já foram mencionadas na fase anterior da Carbono Oculto, agora retornando à cena, especialmente na área relacionada à nafta.

A operação concentra-se em seis fintechs que movimentaram cerca de R$ 26 bilhões e funcionavam como “bancos paralelos” para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Uma nota divulgada pelo Gaeco esclarece: “Após o início da Operação Carbono Oculto, foram identificadas mais seis fintechs atuando como instituições financeiras paralelas para a organização criminosa. Esse grupo formava um núcleo financeiro robusto, utilizado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, assim como para pagamentos a colaboradores e despesas pessoais dos principais envolvidos”.

Além disso, o MPSP apresentou uma denúncia contra um núcleo relacionado ao desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustíveis. Uma investigação conjunta com a ANP revelou uma complexa estrutura baseada em falsidades, envolvendo vendas simuladas de solventes para empresas fictícias.

Conforme aponta o MP paulista, a denúncia detalha uma organização criminosa que se dedicava à abertura em série de empresas em diversos estados brasileiros. Os acusados utilizavam parentes, pessoas em situação vulnerável e até detentos para criar pessoas jurídicas que supostamente adquiririam solventes, que na realidade eram desviados para a região metropolitana de São Paulo.

Os valores obtidos por meio desse esquema eram transferidos para fundos de investimento com o objetivo de ocultar os verdadeiros beneficiários da fraude. Quatro fundos envolvidos no esquema foram identificados e são alvos dessa operação, junto com duas administradoras de recursos e duas gestoras.

O Gaeco afirma: “Os quatro fundos relacionados ao desvio de nafta possuem atualmente um patrimônio estimado em R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, houve um aumento patrimonial superior a 200% nesse valor”.