quinta-feira, setembro 3

Armínio Fraga propõe reforma da Previdência com aumento na idade de aposentadoria e redução do BPC

Quase sete anos após a implementação da reforma da Previdência em 2019, economistas voltaram a discutir profundas alterações nas aposentadorias e benefícios sociais.

Com a colaboração do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e liderada pelo economista Paulo Tafner, a nova proposta sugere que a idade mínima para aposentadoria seja elevada para 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, propõe que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) possa ser inferior ao salário mínimo e que os microempreendedores individuais aumentem suas contribuições previdenciárias.

Armínio Fraga é uma figura proeminente no debate neoliberal brasileiro. Ele atuou como executivo em um fundo de investimento de George Soros e presidiu o Banco Central durante o governo FHC, tornando-se um crítico frequente das políticas sociais e econômicas dos governos do PT, geralmente advogando por cortes nos gastos públicos e novas reformas para garantir o “equilíbrio das contas públicas”.

Além de Tafner e Fraga, participaram da elaboração da proposta nomes como Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS no governo Jair Bolsonaro, Bernardo Schettini, Rogério Nagamine Costanzi e Sergio Guimarães Ferreira.

Atualmente, nenhuma dessas alterações está implementada. O projeto não representa uma iniciativa do governo Lula e ainda não foi apresentado ao Congresso. Contudo, já existe uma minuta de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que o grupo planeja submeter aos candidatos à Presidência da República.

Aposentadoria com idade mínima de 67 anos

A proposta sugere uma elevação gradual da idade mínima para aposentadoria, estabelecendo 67 anos como limite tanto para homens quanto para mulheres, incluindo trabalhadores urbanos e rurais.

No momento, a regra geral estipula que os homens podem se aposentar aos 65 anos e as mulheres aos 62. Para os trabalhadores rurais, as idades mínimas são de 60 anos para homens e 55 para mulheres.

A transição seria feita de forma gradual, com um aumento de seis meses por ano. No setor urbano, os homens atingiriam a idade mínima antes das mulheres. Já a adaptação para trabalhadores rurais seria ainda mais prolongada.

Além disso, um mecanismo vinculado à expectativa de vida seria introduzido: para cada ano adicional na longevidade média da população, seriam adicionados quatro meses à idade mínima exigida para aposentadoria.

Para as mulheres, o texto prevê um bônus de 1,5 ano de contribuição por cada filho nascido ou adotado, limitado a cinco filhos. Embora isso aumentasse o tempo contabilizado na contribuição, não reduziria a idade mínima estipulada de 67 anos.

A exigência mínima de contribuição também seria unificada em 20 anos. Atualmente, algumas regras permitem que mulheres e trabalhadores rurais se aposentem após 15 anos.

Leia: Aposentadoria 2027: confira o novo valor previsto para o piso do INSS segundo o governo federal

BPC pode ficar abaixo do salário mínimo

Dentre as propostas apresentadas, uma das mais impactantes socialmente diz respeito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade financeira.

No cenário atual, o BPC garante um salário mínimo mesmo àqueles que nunca contribuíram ao INSS.

A nova proposta poderia permitir que o valor destinado aos idosos iniciasse em 60% do salário mínimo para aqueles sem contribuições anteriores. A quantia aumentaria dois pontos percentuais anualmente conforme o tempo de contribuição até alcançar 100% após 20 anos.

Dado que a Constituição atualmente assegura um salário mínimo ao BPC, qualquer diminuição desse valor exigiria alteração constitucional.

Leia: INSS: Estagiários a partir dos 16 anos podem iniciar contribuições para aposentadoria

Empresas assumiriam responsabilidades por benefícios trabalhistas

A proposta também transferiria parte da responsabilidade sobre benefícios relacionados a acidentes e doenças ocupacionais dos ombros do INSS às empresas.

O auxílio por incapacidade temporária decorrente de acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente ligada à atividade profissional seriam responsabilidades dos empregadores, abrangendo também os trabalhadores domésticos.

Caberia às empresas contratar seguros para seus funcionários; já os autônomos teriam que buscar sua própria cobertura. Haveria ainda a opção de contratar o próprio INSS com uma contribuição adicional de 6% para assumir esse risco.

Em contrapartida, a alíquota patronal referente à contribuição previdenciária seria reduzida. Passaria dos atuais 20% sobre a folha salarial mais contribuições relacionadas ao risco acidentário para apenas 16% sobre salários até o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

Aumento significativo na contribuição dos MEIs

Mudanças também afetariam diretamente os microempreendedores individuais (MEIs).

A taxa previdenciária desses profissionais passaria dos atuais 5% para 11% do salário mínimo. Somente os beneficiários do Bolsa Família continuariam com a alíquota reduzida em 5%.

Tais alterações mais do que dobrariam o valor das contribuições previdenciárias dessa categoria trabalhadora em um momento em que muitos MEIs já enfrentam dificuldades financeiras para manter seus pagamentos regulares.

Leia: Nova regra libera consignado do INSS para diversos brasileiros

Principais mudanças propostas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tema Situação Atual Nova Proposta
Idade mínima urbana 62 anos para mulheres e 65 para homens Aumento gradual até atingir 67 anos para ambos
Aposentadoria rural 55 anos para mulheres e 60 anos para homens Aumento gradual até atingir 67 anos para ambos
Tempo mínimo de contribuição Diversificado segundo regras; algumas permitem apenas 15 anos Mínimo fixo de 20 anos exigidos
Status das mulheres Diferencial na idade mínima em relação aos homens Iguais em idade com bônus de contribuição por filhos nascidos ou adotados (até cinco)
BPC Acesso garantido ao valor equivalente ao salário mínimo quando se enquadram nos critérios necessários Poderia iniciar com apenas 60% do piso previdenciário caso não haja histórico contributivo