terça-feira, julho 21

Candidata a secretária-geral critica ONU por sua postura conservadora em relação a riscos globais

A costarriquenha Rebeca Grynspan, que se apresenta como candidata à posição de secretária-geral da ONU, expressou sua preocupação nesta quarta-feira (22) sobre a tendência conservadora da organização em relação aos riscos, o que tem dificultado sua capacidade de influenciar os conflitos contemporâneos.

Durante uma audiência que durou três horas com os Estados-membros, Grynspan afirmou: “A paz está sob ameaça porque a confiança na ONU diminui e o tempo para restaurá-la se esgota.”

Ela prometeu que, caso seja eleita para liderar a organização, atuará como uma pacificadora, tomando a iniciativa antes que os conflitos se intensifiquem. “Serei a primeira a fazer uma ligação. Estarei presente nas áreas afetadas por guerras e dialogarei com todas as partes envolvidas”, garantiu.

Como mediadora, Grynspan disse que apresentaria “dez propostas” para cada situação de conflito e, mesmo diante de um possível fracasso, aceitaria a rejeição e continuaria suas tentativas.

A ex-vice-presidente da Costa Rica também reiterou sua crítica ao fato de a ONU ter se tornado uma instituição cautelosa em relação aos riscos. “Nos tornamos uma organização conservadora nesse aspecto”, lamentou.

O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, de nacionalidade portuguesa, cujo segundo mandato se encerra em 31 de dezembro de 2026, tem sido criticado por alguns analistas por sua falta de envolvimento direto nos conflitos globais, abrangendo desde a Ucrânia até o Oriente Médio.

<p“Entendemos que a ONU só falha quando não se esforça. Precisamos agir”, destacou Grynspan, lembrando que durante seu tempo como diretora da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, ela foi responsável por negociar a “Iniciativa do Mar Negro” com Moscou e Kiev em 2022, facilitando assim a exportação de grãos ucranianos após a invasão russa.

A candidata foi a terceira a responder um extenso questionário apresentado por representantes dos Estados-membros e da sociedade civil. O ex-presidente senegalês Macky Sall foi o último dos quatro candidatos ao cargo no Secretariado da ONU a ser ouvido.

Sall advogou por “um novo papel” para o secretário-geral das Nações Unidas para que a entidade recupere sua relevância no cenário global. Ele também destacou as conexões entre paz e desenvolvimento, além das crescentes desigualdades sociais e da urgência em reformar a arquitetura financeira internacional.

Quando questionado sobre a ausência de menção aos direitos humanos em sua carta de candidatura, ele assegurou que daria “especial atenção” ao tema. “É evidente que promover os direitos humanos é essencial para o bem-estar”, afirmou.

No entanto, as autoridades atuais do Senegal acusaram Sall de utilizar violência contra protestos políticos entre 2021 e 2024, resultando em diversas mortes no país.

Os outros dois postulantes à liderança da ONU, Michelle Bachelet do Chile e Rafael Grossi da Argentina, foram ouvidos na terça-feira anterior à audiência de Grynspan.

© Agence France-Presse