No dia 8 de outubro de 2018, um editorial publicado por O Estado de S. Paulo no dia seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais se tornaria emblemático da miopia política que permeava parte da elite brasileira. O título era: “Uma escolha muito difícil”.
O texto do jornal apresentava a decisão entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. De um lado, havia “o truculento apologista da ditadura militar”, enquanto do outro, estava “o preposto de um presidiário”, uma alusão a Lula, que na época cumpria pena pela Lava Jato e estava impedido de concorrer a uma eleição que provavelmente venceria. Anos depois, Lula foi reabilitado pelo STF e conseguiu ser eleito presidente da República pela terceira vez.
Essa frase se tornou um documento histórico. Mais relevante ainda, ela se transformou em uma confissão.
A falha daquele editorial não se limitava à crítica direcionada a Haddad ou ao histórico antipetismo do veículo. O cerne do problema estava na tentativa de equiparar duas candidaturas essencialmente diferentes.
Enquanto uma candidatura era democrática, liderada por um professor universitário com experiência como ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, a outra era autoritária, encabeçada por um deputado que defendia a ditadura, exaltava torturadores, atacava minorias e já demonstrava desprezo pelas instituições democráticas.
Oito anos depois, o editorial voltou a ser analisado pelo próprio Estadão.
No dia 21 de maio de 2026, durante a pré-campanha presidencial, com Lula apto para buscar reeleição e Flávio Bolsonaro tentando herdar o legado político do pai, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, o jornal publica um novo editorial com um título direto e impactante: “Isto é Flávio Bolsonaro”.
A linha fina do texto é ainda mais contundente:
“Ninguém pode se dizer surpreendido com as mentiras em série do senador, cuja folha corrida inclui r achadinha e ligação com milicianos. O caso Master não torna Flávio pior do que ele já era.”
A diferença entre os dois editoriais representa a transição entre a ilusão e o reconhecimento tardio. Em 2018, a escolha era considerada “muito difícil”. Em 2026, o mesmo campo político que emergiu daquela escolha é descrito como sempre foi: recheado de mentiras, escândalos financeiros e tentativas constantes de transformar crimes em perseguição política.
O editorial que anula o anterior
O Estadão não fez uma autocrítica explícita. Não afirmou: erramos em 2018. Não reconheceu: contribuímos para normalizar o bolsonarismo. Não declarou: tratamos como dilema moral algo que desde o início era uma escolha entre democracia e aventura autoritária.
No entanto, o editorial de 2026 faz isso indiretamente.
Ao afirmar que ninguém pode se dizer surpreendido com Flávio Bolsonaro, o jornal sugere que os sinais sempre estiveram evidentes. Não surgiram apenas agora com o caso Master. As mensagens comprometedoras e as explicações desconstruídas pela produtora Dark Horse apenas adicionam novas camadas a uma trajetória já conhecida.
Flávio Bolsonaro não foi moldado pelo escândalo; ele foi revelado por ele.
A força política deste novo editorial reside em sua ironia histórica. O veículo que em 2018 tratou Bolsonaro e Haddad como equivalentes agora admite que o bolsonarismo nunca foi um acidente ou desvio passageiro; sempre foi método, cultura política e forma de poder.
E Flávio representa uma das manifestações mais nítidas disso tudo.
A falsa equivalência custou caro
A ideia da “escolha difícil” constituiu uma das maiores fraudes retóricas das eleições de 2018. Essa narrativa possibilitou que setores da elite, da mídia e do chamado centro político se isentassem diante do abismo. Ninguém precisava apoiar Bolsonaro abertamente; bastava afirmar que “os dois lados eram igualmente ruins”.
Dessa forma, a ameaça autoritária ganhou aparência de normalidade.
O antipetismo atuou como um sedativo moral. O ressentimento contra Lula e suas políticas inclusivas foi utilizado para relativizar as atitudes e declarações de Bolsonaro. A defesa da ditadura passou a ser vista como “estilo”, enquanto a violência verbal virou “autenticidade”. Os ataques às instituições foram interpretados como “reação ao sistema”, assim como a ignorância foi rebatizada como “linguagem popular”. A barbárie passou a ser considerada uma alternativa viável.
Os efeitos dessa narrativa apareceram rapidamente.
O Brasil experimentou quatro anos marcados por destruição institucional, obscurantismo, sabotagens ambientais, ataques à ciência, isolamento internacional e militarização do Estado — sem contar os estímulos à violência política e as ameaças constantes ao processo eleitoral. Posteriormente vieram as derrotas em 2022, as conspirações golpistas e os eventos tumultuados do dia 8 de janeiro seguido pela responsabilização judicial de Jair Bolsonaro.
Nada disso ocorreu por acaso.
O bolsonarismo não enganou o Brasil; ele se apresentou claramente. Quem optou por ignorá-lo fez essa escolha deliberadamente.
Flávio não é plano B; é continuidade
Atualmente em 2026, há esforços para apresentar Flávio Bolsonaro como uma potencial solução eleitoral para a direita — não seria Jair; seria seu filho. Não seria o capitão; seria o senador. Não seria o pai condenado; seria o herdeiro político.
No entanto, essa estratégia é frágil porque se baseia em uma mentira evidente: Flávio não representa uma ruptura com Jair Bolsonaro; ele é continuidade biológica, política e moral do bolsonarismo.
Sua trajetória não começa no caso Master; ela se estende através das rachadinhas envolvendo Fabrício Queiroz até as ligações problemáticas com figuras associadas ao submundo carioca — incluindo sua defesa constante ao pai — assim como os ataques contínuos ao Supremo Tribunal Federal e as tentativas frequentes de transformar investigações legítimas em perseguições políticas.
O editorial do Estadão acerta ao afirmar que o caso Master não torna Flávio pior do que ele já era; apenas dificulta mais ainda tentar fingir que ele poderia ser diferente.
Flávio Bolsonaro não está sendo descoberto; está sendo reconhecido.
Oito anos para perceber o óbvio
A constatação feita pelo Estadão possui um simbolismo profundo.
Este não é um veículo alinhado à esquerda nem simpático a Lula; muito pelo contrário — sempre foi defensor do liberalismo conservador brasileiro e frequentemente hostil ao PT e aos governos populares.
Dessa forma, o editorial divulgado em 2026 carrega grande peso político.
Quando até mesmo O Estado de S. Paulo afirma “Isto é Flávio Bolsonaro”, essa frase transcende a crítica ao senador tornando-se um aviso para o campo conservador que busca um candidato capaz de derrotar Lula sem carregar publicamente o fardo político deixado pelo bolsonarismo.
No entanto, esse candidato não existe dentro da família Bolsonaro; não está presente no clã ou no sobrenome — Flávio representa apenas herança histórica negativa neste contexto específico.
A questão nunca envolveu apenas Jair
A tentativa de substituir Jair por Flávio revela uma falta de compreensão ou mesmo uma fraude intencional. O problema inerente ao bolsonarismo nunca esteve restrito somente à figura de Jair Bolsonaro; trata-se também da rede política abrangente — econômica, religiosa, militarista e midiática — que viu nele uma oportunidade única.
Foi essa rede que normalizou comportamentos absurdos e aceitou violência como método enquanto flertava com golpes disfarçados sob defesas à democracia.
Derrotada nas eleições de 2022, essa mesma rede tentou manter vivo seu projeto autoritário através dos mais diversos meios disponíveis.
Flávio Bolsonaro integra essa engrenagem sem estar fora dela — longe disso! Ele não representa moderação ou correção; é operador ativo desse mesmo campo político.
Por isso é relevante o editorial do Estadão: ele remove camadas da fantasia coletiva sobre essa realidade política.
Expõe verdades evidentes ao afirmar na linguagem conservadora aquilo que deveria ter sido aprendido pela democracia brasileira há tempos: não existe bolsonarismo limpo.
Só há bolsonarismo antes ou depois dos escândalos ocorridos.
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Aviso nas pesquisas eleitorais gera ansiedade nas elites
Além disso tudo, há novos dados relevantes que ajudam a entender o tom adotado pelo editorial do Estadão.
As duas primeiras pesquisas nacionais realizadas após revelações sobre os contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mostram tendências semelhantes: Lula ampliou sua vantagem enquanto Flávio sofreu desgaste imediato.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de maio último,
Lula aparece com 48% contra 41% para Flávio numa hipotética disputa no segundo turno.
Na rodada anterior realizada em abril,
Flávio figurava ligeiramente à frente (47%) frente aos (47%) votos atribuídos ao ex-presidente.
Após os recentes escândalos mencionados acima,
a dinâmica eleitoral mudou completamente.
A Vox Brasil corroborou essa tendência:
Lula apresenta-se com (46%), enquanto Flávio ficou reduzido para (38%) num cenário semelhante.
A pesquisa indicou avanço significativo na popularidade de Lula,
somando assim (6 pontos) enquanto Flávio viu sua candidatura sofrer declínio após toda controvérsia envolvendo Vorcaro
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É impossível afirmar categoricamente sem confirmação expressa pelo próprio jornal,
que essas pesquisas resultaram diretamente no conteúdo do editorial;
entretanto observamos coincidências políticas relevantes:
o texto emerge num momento crucial quando Flávio deixa de parecer uma alternativa competitiva dentro da direita tornando-se risco iminente eleitoral para esse segmento conservador
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Assim,
O Estado vê-se menos interessado em apoiar Lula do que efetivamente livrar-se das amarras impostas por Flávio:
seu editorial representa mais um sinal claro alarmante
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Ao analisar sua pré-campanha atual,
o jornal percebe Lula fortalecido enquanto testemunha Flávio perdendo apoio;
consequentemente observa-se também a imagem negativa crescente ligada ao Banco Master,
mentiras circulando livremente além dos passivos históricos atrelados à família Bolsonaro;
parece comunicar assim aquele tradicional campo conservador:
com tal candidato a derrota pode ser inevitável
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A escolha atual deve ser clara
As eleições programadas para acontecerem em 2026 prometem ser desafiadoras;
a extrema direita permanece ativa,e cada vez mais equipada globalmente com apoio explícito vindo dos EUA através Trump além dos movimentos ultradireitistas mundiais;
Eduardo continua agindo nos Estados Unidos contra interesses soberanos brasileiros; br >Jair mesmo após condenação tenta ainda influenciar diretamente no setor político criado sob seu comando;
e finalmente avança-se na busca por posicionar Flávio como alternativa viável dentro dessa direita incapaz ainda hoje de desvincular-se desse monstro
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Entretanto, algo mudou definitivamente desde então:
Ninguém poderá alegar desconhecimento; strong > span > p >
Ninguém poderá afirmar ter sido pego desprevenido; strong > span > p >
Ninguém poderá fingir tratar-se simplesmente duma nova opção eleitoral vinda repentinamente sendo qualificada erroneamente como nome técnico ou conservador normalizado dentro espectro político atual; span > p >
Não obstante, ele carrega consigo tudo aquilo relacionado ao seu legado passado associado diretamente aos atos cometidos anteriormente; span > p >
Em suma: p >
No passado,o Estadão afirmara tratar-se duma escolha complicada; strong ></ span p >
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