A Federação Única dos Petroleiros (FUP) comemora a reinício da produção de ureia na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), que ocorreu nesta quinta-feira (30), após um fechamento que perdurou por seis anos, desde 2020. A entidade tem se empenhado na reativação dessa planta, considerada crucial para o setor de fertilizantes.
Cibele Vieira, coordenadora-geral da FUP, expressou sua alegria. “É com grande emoção que celebramos o retorno das operações da Fafen-PR, um verdadeiro símbolo de que a luta é válida. Embora não tenhamos conseguido evitar o fechamento imediato da fábrica, nossa resistência possibilitou essa retomada”, disse.
Rodrigo Maia, coordenador-geral do Sindicato dos Petroquímicos do Paraná (Sindiquímica), ressaltou que a reabertura foi realizada de maneira progressiva, começando com a recontratação de funcionários em julho de 2024. Desde então, a unidade passou por um intenso processo de manutenção devido ao longo período em inatividade.
Além disso, um incidente ocorrido em outubro de 2025, quando um incêndio atingiu o compressor de oxigênio da planta, também atrasou o início das operações.
A produção de amônia na Fafen-PR foi reiniciada em 14 de abril de 2026, com uma capacidade diária estimada em cerca de 1.300 toneladas. A fabricação de ureia começou nesta quinta-feira (30) e tem uma capacidade instalada aproximada de 2.000 toneladas por dia. A unidade ainda é responsável pela produção de dióxido de carbono (CO₂) e metanol.
Considerada a maior instalação produtora de fertilizantes nitrogenados vinculada à Petrobrás, a Fafen-PR chegou a representar até 30% do mercado nacional de ureia. A reabertura dessa fábrica também marca o retorno da terceira unidade desse segmento em operação no Brasil, juntamente com as fábricas localizadas na Bahia e em Sergipe.
A ureia é reconhecida como o fertilizante nitrogenado mais utilizado globalmente e desempenha uma função essencial na elevação da produtividade agrícola e no aumento da produção alimentar.
“Com as três unidades operacionais e a futura inclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (MS), espera-se uma redução na dependência externa do Brasil em relação aos fertilizantes para cerca de 65%, abaixo dos atuais 80%”, antecipou Alberico Santos Queiroz Filho, diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado).
Produção das unidades fabris
As fábricas de fertilizantes nitrogenados da Petrobrás atualmente operacionais — Fafen-PR, Fafen-BA e Fafen-SE — são responsáveis pela produção de ureia fertilizante, amônia, gás carbônico (CO₂), metanol, sulfato de amônio e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo).
O Brasil se destaca como um dos principais produtores agrícolas do mundo e apresenta um alto consumo de fertilizantes — insumos estratégicos cujos preços internacionais aumentaram consideravelmente devido aos conflitos na Ucrânia/Rússia e no Oriente Médio.
