terça-feira, julho 21

Perícia independente sugere homicídio de PC Siqueira, desafiando conclusão de suicídio

A família do youtuber Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, solicitou uma perícia particular que concluiu que ele foi estrangulado e assassinado com um fio de fone de ouvido em seu apartamento em São Paulo. Essa análise foi realizada em março deste ano, dois anos após o falecimento do influenciador.

O laudo contradiz os relatórios do Instituto Médico Legal (IML), do Instituto de Criminalística (IC) e da Polícia Técnico-Científica, que haviam classificado a morte como suicídio. Em 2025, esses órgãos informaram que PC teria morrido enforcado por uma cinta de catraca. Segundo a versão oficial, o youtuber se suicidou na presença da ex-namorada Maria Luiza Lopes Watanabe.

Uma nova teoria sobre a morte do influenciador agora está emergindo. O perito particular Francisco João Aparício La Regina, que atuou anteriormente na Polícia Técnico-Científica, declarou que a asfixia foi causada por um fio delgado e queas marcas no pescoço de PC seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido encontrado no local.

A perícia ainda indica que o padrão e a largura das lesões no corpo de PC não correspondem à cinta de catraca laranja, que é mais larga. O relatório possui 48 páginas, mas não identifica o autor do crime.

Análise policial renovada

Em decorrência da nova perícia, o Ministério Público solicitou que a Polícia Civil envie o fio dos fones de ouvido para análise no IML e IC. Esse fio será comparado com as marcas encontradas no corpo de PC. Entretanto, devido ao tempo decorrido desde a morte, não será possível realizar a exumação; assim, as análises serão baseadas em fotografias do cadáver.

No ano de 2025, a Promotoria já havia destacado discrepâncias nos laudos periciais e contradições nos depoimentos, levando à decisão judicial para dar continuidade às investigações. Apesar do inquérito ter sido encerrado pela Polícia Civil como suicídio, a Justiça não autorizou o arquivamento definitivo do caso.

A investigação continua explorando novas possibilidades, como instigação ao suicídio, homicídio simulado e omissão de socorro. Indivíduos próximos ao youtuber foram investigados, mas até o momento nenhum suspeito foi formalmente identificado.

Recorde do caso

PC Siqueira foi encontrado sem vida em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos, em seu apartamento. Na época, a perícia indicou morte por asfixia mecânica resultante de enforcamento. Exames toxicológicos revelaram a presença de drogas e medicamentos; no entanto, os peritos determinaram que essas substâncias não contribuíram para sua morte.

A conclusão do inquérito ocorreu em outubro de 2025 mantendo a narrativa de que ele teria cometido suicídio. A família contestou esse resultado e apontou falhas técnicas além da falta de algumas diligências importantes, como ouvir testemunhas sugeridas pela defesa e analisar objetos encontrados no local.

Diante das controvérsias existentes, o Ministério Público decidiu não solicitar o arquivamento do caso — uma prática comum em mortes classificadas dessa forma — e requisitou novas ações investigativas incluindo perícias adicionais e reavaliação dos depoimentos fornecidos.

A Promotoria também convocou pessoas que estiveram com PC nas horas anteriores ao seu falecimento, incluindo sua ex-namorada, uma vizinha e o síndico do prédio. Essas pessoas foram chamadas para relatar suas versões aos peritos durante uma reconstituição dos eventos.

A ex-namorada, considerada uma testemunha fundamental no caso, não participará da simulação. Ela alegou questões pessoais e informou através de sua advogada que reside no Rio de Janeiro e está amamentando um recém-nascido. A polícia decidiu seguir com a reconstituição utilizando apenas os depoimentos já prestados por ela.

Sob relatos obtidos durante a investigação, foi mencionado que o influenciador havia expressado vontade de tirar a própria vida após o término do relacionamento ocorrido dois dias antes da sua morte. Amigos entrevistados pela polícia descreveram uma relação marcada por frequentes conflitos.

Neste momento, não há suspeitos identificados nem evidências conclusivas indicando crime. As autoridades afirmam que retomar as investigações tem como objetivo esclarecer questões técnicas e assegurar uma análise completa das diversas hipóteses possíveis.

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