terça-feira, julho 21

FUP denuncia abusos na cadeia de combustíveis causados pela alta do diesel.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) identificou que distorções estruturais no mercado de combustíveis estão contribuindo para o aumento recente no valor do diesel no Brasil. Mesmo com a tentativa do governo Lula de zerar os tributos federais para conter os preços e minimizar os efeitos do aumento das cotações internacionais do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, o problema persiste.

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Cibele Vieira, diretora da FUP, ressaltou que a situação atual é resultado direto da falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e da dependência externa.

“A Petrobrás consegue manter os preços equilibrados na refinaria, mas não tem controle sobre o que ocorre depois. Sem uma distribuição pública e uma parcela do diesel sendo importada, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou.

A FUP indicou que o problema se intensificou a partir de 2016, com a implementação do Preço de Paridade de Importação (PPI) no governo Michel Temer, política que foi mantida no governo Jair Bolsonaro. Esse modelo vincula os preços internos aos valores do mercado internacional, mesmo o Brasil sendo um grande produtor de petróleo.

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A política foi modificada a partir de 2023, quando a Petrobrás adotou uma abordagem mais flexível, visando reduzir a volatilidade e proteger o mercado interno. No entanto, a entidade representativa dos petroleiros enfatizou que a empresa não consegue controlar o preço final.

Para tentar conter os aumentos para o consumidor, durante a guerra, o governo federal isentou impostos sobre o diesel (PIS e Cofins) em 12/3. Em 13/3, a Petrobrás aumentou o preço do produto; e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou os preços da semana de 8/3 a 14/3 – ainda não refletindo os impactos das novas medidas governamentais.

De acordo com a ANP, as variações médias de preços na bomba, da semana de 1/3 a 7/3 para 8/3 a 14/3 foram: gasolina aumentou 2,5%, óleo diesel S500 subiu 11,8% e o S10 teve um aumento de 12%.

Estudos realizados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em informações da ANP, entre 5 de janeiro e 9 de março de 2026, mostram o impacto dos diferentes modelos de precificação no mercado brasileiro de combustíveis.

Enquanto o diesel da Petrobrás permaneceu estável em R$ 3,30 durante todo o período, o preço baseado no PPI saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32. As refinarias privatizadas também acompanharam esse aumento: a Acelen (Bahia) passou de R$ 3,31 para R$ 5,02 e a Ream (Amazonas) de R$ 3,70 para R$ 5,70.

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Efeito da privatização

Segundo o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, os dados evidenciam os riscos da privatização do setor energético.

“Essa pesquisa mostra de maneira clara o que está em jogo quando se abre mão do controle público em áreas estratégicas como a energia. Enquanto a Petrobrás busca proteger o país das flutuações internacionais, as empresas privadas repassam imediatamente qualquer aumento ao consumidor, visando aumentar suas margens de lucro. Isso demonstra que a soberania energética afeta diretamente o bolso da população e a estabilidade econômica”, afirmou.

Bacelar alertou para os efeitos em cascata do aumento do diesel na economia. “Quando o diesel sobe, não é apenas o combustível que fica mais caro, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se propaga por toda a economia”.

Os dados mostram que, mesmo com a mudança na política de preços da Petrobrás, os valores finais ainda são influenciados por empresas privadas ao longo da cadeia.

De acordo com o dirigente da FUP, isso ocorre porque o Brasil ainda importa entre 20% e 25% do diesel consumido, devido à falta de investimentos no refino e à venda de refinarias nos últimos anos. Além disso, a privatização da BR Distribuidora – atualmente controlada pela Vibra Energia – retirou da Petrobrás a capacidade de intervir diretamente na distribuição.