O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (18) a redução da taxa Selic para 14,75%. O corte de 0,25 ponto percentual marca a primeira queda dos juros desde maio de 2024. A taxa estava em 15% desde junho de 2025.
No entanto, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo federal, Gleisi Hoffmann, classificou como “decepcionante” a redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic:
“Redução de apenas 0,25 na taxa Selic, sem sinalização clara de novos cortes, é decepcionante. O país já pagou um preço alto demais pela política de juros contracionista, que está inibindo o investimento e inflando a dívida pública e das famílias. As incertezas provocadas pela guerra não podem sustentar o prolongamento do sufoco dos juros e dos ganhos especulativos.”
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Quem também criticou a queda da Selic foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que a classificou como “frustrante”. O parlamentar também lembrou que o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros do mundo:
“Frustrante a decisão do Copom de cortar apenas 0,25% na taxa Selic. O Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. Sinceramente, parece que é uma conspiração contra o Brasil e o governo do presidente Lula. Nem países que estão em guerra têm juros reais tão altos.
Com a justificativa de incertezas da guerra no Oriente Médio, o mercado já estava precificando essa queda menor, tentando influenciar o resultado do Copom, o que acabou se transformando numa profecia autorrealizável apenas para seguirem lucrando muito com os juros exorbitantes.”
Em seguida, Lindbergh afirma que não há justificativa para o Copom não adotar uma política de redução mais acelerada da taxa:
“Não há nenhuma justificativa técnica para o Copom não ter uma política de redução mais acelerada da taxa básica de juros. Não temos inflação de demanda, muito pelo contrário. A economia brasileira está desacelerando por conta desses juros excessivamente altos. Isso é muito grave! A política monetária não pode continuar refém do mercado; ela precisa estar voltada para o bem-estar da população e pensar também no crescimento econômico e na geração de empregos.”
Por sua vez, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) classificou a redução da taxa Selic como “insuficiente”:
“Enquanto o Governo do presidente Lula trabalha para gerar emprego, ampliar o crédito e fortalecer a renda, o Banco Central do Brasil insiste em manter uma das taxas de juros mais altas do mundo.
A redução de apenas 0,25% na Selic é tímida e insuficiente diante das necessidades do país. O Brasil precisa de coragem para crescer, investir e colocar a economia para girar de verdade.”
Já o líder do governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que a redução da Selic “é um pequeno avanço”:
“O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. É um pequeno avanço, mas ainda insuficiente diante dos desafios do país.
As taxas seguem muito altas, travando investimentos, dificultando o crédito e limitando o crescimento econômico. É fundamental avançar mais, com reduções consistentes, para estimular o desenvolvimento, gerar empregos e impulsionar a economia brasileira.”
Comitê de Política Monetária do BC reduz Selic pela primeira vez em quase dois anos
O Comitê de Política Monetária decidiu reduzir a taxa Selic para 14,75% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira, 18. O corte de 0,25 ponto percentual marca a primeira queda dos juros desde maio de 2024.
A taxa estava em 15% desde junho de 2025, após sete elevações consecutivas entre setembro de 2024 e junho de 2025. Nas quatro reuniões mais recentes, o Banco Central havia optado por manter o patamar.
A decisão ocorre em meio à deterioração do cenário externo. O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel elevou o preço do petróleo para acima de US$ 100, ampliando a volatilidade global e exigindo cautela de países emergentes.
O Copom indicou que esse ambiente influenciou a escolha por um corte moderado. Antes da escalada da crise, parte do mercado projetava redução de 0,5 ponto. Com o aumento das incertezas, a expectativa caiu para 0,25 ponto, o que se confirmou.
Inflação e atividade no radar
No cenário doméstico, a atividade econômica mostra desaceleração gradual, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. A inflação recua, mas segue acima da meta de 3%, dentro do intervalo de tolerância de até 4,5%.
A prévia mais recente do IPCA apontou alta de 0,7% em fevereiro, com acumulado de 3,81% em 12 meses. Para 2026, a projeção do mercado subiu para 4,1%, pressionada pelo cenário internacional.
A Selic é a principal referência de juros da economia. Ela influencia crédito, consumo e o controle da inflação, sendo ajustada pelo Banco Central conforme a evolução do cenário.
