O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente as potências globais ao comentar, nesta quarta-feira (18), a alta no preço dos combustíveis em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
“Nós aqui que não temos nada a ver com isso, que estamos a 14 mil quilômetros do Irã, que estamos longe de Israel, por que nós temos que pagar o preço do combustível? Por quê? Por irresponsabilidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou.
A fala de Lula foi feita durante a entrega do prêmio Mulheres das Águas, prêmio destinado a trabalhadoras da pesca no Brasil. O presidente citou diretamente os países que possuem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — e criticou o papel dessas nações no cenário internacional.
“São os cinco países que produzem mais armas, que têm armas nucleares […] que deveriam estar zelando pela paz. Eles decidiram que são donos do mundo e resolveram atacar quem quiserem.”
O presidente também destacou quem, segundo ele, sofre as consequências diretas dos conflitos.
“A vítima disso […] serão os trabalhadores do mundo e os pobres do mundo, porque toda a desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não têm nada a ver com isso.”
Guerra no Irã pressiona preço do petróleo
As declarações ocorrem em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que unem EUA e Israel contra o Irã, e que tem elevado a tensão no mercado global de energia e pressionado os preços do petróleo.
Lula destacou os ataques recentes já impactam diretamente o preço dos combustíveis. “Os tiros que o Trump deu no Irã estão fazendo o diesel aumentar no mundo inteiro […] o barril saiu de US$ 65 para US$ 120”, afirmou.
A disparada está relacionada, entre outros fatores, ao risco de bloqueio total do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, o que afeta a oferta e pressiona os preços internacionais.
Por que os combustíveis sobem no Brasil
Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil segue a dinâmica global de preços, o que explica o impacto direto no valor do diesel e da gasolina. O governo Lula, contudo, vem adotando medidas para conter o impacto da crise. Ainda assim, donos de postos de combustíveis vêm impondo alta nos preços.
Lula criticou o aumento nos preços internos e apontou distorções no mercado. “Por que o álcool aumentou? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes? […] Porque está cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça”, disse.
O governo investiga possíveis práticas abusivas na formação de preços, com atuação da Polícia Federal, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e de órgãos de defesa do consumidor. Há suspeitas de aumentos injustificados em postos de combustíveis, inclusive sem alteração real nos custos.
Medidas do governo para conter a crise
Diante da escalada dos preços, o governo federal adotou uma série de ações para tentar aliviar o impacto no bolso do consumidor.
Entre elas estão a zeragem de PIS e Cofins sobre o diesel, a criação de subsídios condicionados ao repasse ao consumidor e o reforço na fiscalização de distribuidoras e postos.
Também há articulação para responsabilizar agentes do setor por aumentos considerados abusivos.
Impasse com estados e impacto no preço final
Apesar das medidas federais, o governo enfrenta dificuldades para ampliar os efeitos na ponta, já que depende da adesão dos estados na redução do ICMS sobre os combustíveis.
Governadores resistem à proposta, alegando perdas de arrecadação. Como alternativa, o governo federal propôs compensar parte dessas perdas, em negociação ainda em andamento.
Sem a redução do ICMS, a avaliação da equipe econômica é de que o impacto das medidas tende a ser limitado.
Caminhoneiros pressionam e risco de greve cresce
A alta do diesel já provoca insatisfação no setor de transporte e reacende o risco de paralisação.
Caminhoneiros relatam dificuldade para absorver os custos e apontam grande variação de preços entre postos, o que aumenta a tensão no setor.
O governo monitora o cenário e avalia novas medidas para evitar uma greve, que poderia afetar o abastecimento e pressionar ainda mais a inflação.
