terça-feira, julho 21

Trump declara trégua histórica entre Israel e Líbano

Um entendimento de cessar-fogo foi alcançado entre os governos de Israel e do Líbano, pondo fim a mais de seis semanas de hostilidades. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atuou como mediador principal, fez o anúncio das negociações realizadas em Washington.

Por meio da rede social Truth Social, Trump revelou que teve diálogos separados com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun.

“Os dois líderes concordaram em iniciar formalmente um cessar-fogo para promover a paz entre suas nações”, afirmou o presidente americano em sua postagem.

Na terça-feira, Washington foi o palco do primeiro encontro direto entre representantes dos dois países em muitas décadas. Desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, Israel e Líbano estão tecnicamente em guerra. Este evento também foi o mais relevante em termos de hierarquia desde 1993.

O presidente libanês Aoun já havia manifestado anteriormente a intenção de Beirute de reduzir as tensões no sul do Líbano e em outras áreas do país, buscando, segundo ele, “evitar a destruição de residências em vilarejos e cidades”.

Fragilidade do acordo

O entendimento mediado por Trump não inclui a retirada das forças israelenses das áreas do sul libanês e não contou com a participação do Hezbollah, o partido político e grupo militar que tem sido fundamental na resistência à ocupação israelense.

Tanto Israel quanto o governo central libanês compartilham um objetivo comum: desarmar o Hezbollah, que é aliado do Irã.

Em um discurso na terça-feira, Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, reiterou a disposição do grupo para continuar sua resistência armada e rejeitou qualquer tipo de negociação política que permita diálogos diretos com Israel.

Qassem apontou que o acordo firmado em novembro de 2024 previa a suspensão das hostilidades, libertação de prisioneiros e início da reconstrução libanesa; no entanto, segundo ele, nenhuma dessas condições foi efetivamente implementada.

De acordo com suas declarações, a resistência teve paciência durante meses antes de agir no momento que considerou estratégico, interrompendo o que descreveu como um plano hostil abrangente contra o Líbano.

No aspecto militar, Qassem declarou que os combatentes da Resistência Islâmica estarão prontos para capturar soldados israelenses sempre que houver uma oportunidade e enfatizou que continuarão presentes até “o último suspiro”.

Papel do Irã no cessar-fogo

Fontes ligadas ao processo negociador informaram ao veículo libanês Al Mayadeen que a pressão exercida pelo Irã foi determinante nas tratativas que resultaram no cessar-fogo entre Israel e Líbano.

Além disso, Teerã estabeleceu uma relação direta entre as condições do cessar-fogo e a segurança no Estreito de Ormuz. O Irã já havia suspendido ou ameaçado bloquear o tráfego marítimo nessa região como resposta aos ataques israelenses ao Líbano, operando sob uma lógica descrita como “cessar-fogo para todos ou para nenhum”.