terça-feira, julho 21

Um país europeu pode se tornar pioneiro na exploração de minas de Terras Raras

Na Noruega, na região de Telemark, encontra-se o maior depósito de Terras Raras da Europa. Este local, que ainda não conta com minas ativas para a extração dos elementos essenciais para tecnologias avançadas, possui um potencial estimado de 15,9 milhões de toneladas métricas de óxidos de elementos de terras raras (ETRs), conforme informações do Serviço Geológico norueguês.

A descoberta recente na área do depósito de Fen pode transformar esse local no primeiro em toda a Europa a iniciar a produção desses elementos. A pesquisa geológica realizada revelou uma combinação significativa de neodímio e praseodímio, dois componentes cruciais para a fabricação de ímãs potentes, representando aproximadamente 19% dos elementos encontrados no solo.

A Rare Earths Norway, uma empresa associada ao Grupo Hustadlitt — um conglomerado minerador que também é proprietário da Norsk Mineral AS — assumiu o controle da operação na região.

A companhia planeja dar início à produção até o final de 2031, com uma capacidade inicial projetada em aproximadamente 800 toneladas anuais da mistura dos dois elementos, conhecida como NdPr.

Esse volume deve atender até 5% da demanda europeia por ETRs, atualmente dominada pela China, que responde por 90% da produção e processamento desses óxidos.

Informações da Comissão Europeia indicam que a União Europeia depende entre 90% e 98% das suas importações de terras raras provenientes da China. Em resposta, o bloco tem elaborado políticas industriais focadas na segurança do abastecimento.

Através do Critical Raw Materials Act, a União Europeia estabeleceu metas estratégicas visando até 2030. O objetivo é extrair pelo menos 10% do consumo anual total de minérios dos países membros e processar até 40% das matérias-primas dentro do próprio continente.

Além disso, a UE busca limitar sua dependência em relação a qualquer país fornecedor individualmente a no máximo 65% do total.

Iniciativas para extrair elementos críticos estão surgindo em países como Suécia — onde o depósito de Kiruna foi descoberto pela LKAB — além da Finlândia e Espanha. No entanto, nenhum desses projetos possui ainda comprovação sólida de viabilidade econômica.

O Banco Europeu de Investimento e fundos nacionais têm investido bilhões de euros em cadeias produtivas relacionadas a baterias, energias renováveis e mineração sustentável. Esse esforço visa criar um ecossistema industrial que promova autonomia energética e mineral na região.

No entanto, o desenvolvimento da mina em Fen enfrenta desafios significativos relacionados à resistência das comunidades locais compostas por agricultores e organizações ambientais, preocupadas com conflitos territoriais.

A área já foi submetida à mineração de ferro e nióbio durante a metade do século XX e está situada próxima ao Lago Norsjø, uma região que abriga residências e instituições educacionais. Isso torna o avanço da atividade mineradora um empreendimento complexo.

A Rare Earths Norway ressalta que as operações na região devem obedecer a normas rigorosas de sustentabilidade e segurança.