Wagner Moura, o renomado ator brasileiro, foi nomeado uma das personalidades mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time, famosa por suas seleções anuais. Essa honraria surge após um ano de grande relevância internacional para o artista, que inclusive foi indicado ao Oscar na categoria de melhor ator pelo filme O Agente Secreto.
Na seção dedicada à cultura, o ator figura ao lado de outros grandes nomes como Zoe Saldaña, Nikki Glaser e Luke Combs.
A homenagem a Moura foi redigida pelo ator Jeremy Strong, conhecido por sua atuação na série Succession. No texto, Strong compartilhou suas memórias sobre a performance de Moura que assistiu no Festival de Cannes, ressaltando a profundidade do trabalho do colega.
“Foi uma honra fazer parte do júri do Festival de Cannes no ano passado”, mencionou Strong. “Em uma das noites, sentei-me no fundo do imenso teatro do Palais e fiquei maravilhado ao ver Wagner Moura nos guiar pela Recife dos anos 1970 e nos levar a um espaço reservado para atuações extraordinárias: ao cerne da vida. O júri decidiu conceder-lhe o prêmio de Melhor Ator. Ele já é uma lenda no Brasil há bastante tempo e tem se destacado no cenário global. Contudo, neste último ano, Moura ultrapassou fronteiras como nunca antes.”
Continuando seu tributo, Strong afirmou:
“Robert De Niro também fez uma fala em Cannes no ano passado dizendo: ‘Fascistas deveriam temer a arte.’ Moura, que viveu sob o governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2023, compreende que a democracia e a liberdade são batalhas que precisam ser travadas diariamente (uma ideia à qual nosso país está finalmente acordando). Ele não hesita em utilizar o poder transformador da arte como uma ferramenta. Desde ‘O Agente Secreto’ até sua estreia na direção com ‘Marighella’ — um filme que critica a ditadura militar brasileira — além de sua atuação nos palcos com ‘Um inimigo do povo’, de Ibsen (até onde você se disporia a ir para defender a verdade?) — ele representa uma intersecção entre política e humanidade, um equilíbrio do qual precisamos urgentemente. Quando De Niro disse que fascistas deveriam temer a arte, estava se referindo a artistas como Moura. Precisamos desse tipo de artista mais do que nunca agora.”
Estilo de vida
Além da homenagem recebida, o estilo de vida do ator foi destacado pela revista em suas redes sociais. A crítica Stephanie Zacharek descreveu Moura como um “antídoto analógico” em um mundo cada vez mais digital.
“Há algo nele que evoca o glamour da velha Hollywood, fazendo-o parecer uma exceção entre os atores contemporâneos. Seu charme sutil e humor espirituoso contrabalançam qualquer tendência à seriedade excessiva; é fácil imaginá-lo vestindo um robe dos anos 1930, fumando sem realmente fumar, se é que você me entende. Ele não utiliza redes sociais, prefere ouvir música em vinil e dirige um Volkswagen Fusca de 1959. Em tempos tão digitais quanto os atuais, ele se revela como o antídoto analógico que não sabíamos precisar. Curiosamente, Moura quase seguiu outro caminho: formou-se em jornalismo. Aqueles anos na faculdade e os autores que leu foram cruciais para ajudá-lo a perceber as conexões entre arte e política.”
