Por muitos anos, a fabricação de cerveja no Brasil esteve quase que totalmente atrelada à importação de lúpulos dos países como Alemanha, Estados Unidos e Nova Zelândia. Contudo, Campinas quebrou esse padrão ao combinar sua tradição agrícola com rigor científico. Com viveiros reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a cidade se destacou como a principal fornecedora de mudas aclimatadas em todo o país.
A adoção de variedades selecionadas possibilita que produtores locais e de outras regiões cultivem um lúpulo de qualidade superior, com teor de óleos essenciais que se equipara ao encontrado no mercado internacional.
Herman e Felipe Wigman, da Van de Bergen, foram pioneiros na introdução oficial da genética do lúpulo no Brasil. “Nosso envolvimento ao longo dos anos foi fundamental para desenvolver uma cultura agrícola que se espalhou por diversas áreas do país, incluindo campos experimentais e colaborações com universidades, além do suporte técnico a produtores de diferentes escalas”, afirmaram.
A proximidade entre os campos de cultivo e as cervejarias possibilitou o desenvolvimento dos rótulos Fresh Hop e Wet Hop genuinamente locais. Nesses casos, as flores de lúpulo são colhidas e adicionadas à brassagem algumas horas depois, proporcionando um frescor inigualável que não pode ser alcançado com insumos importados e processados.
O rigor técnico aliado à frescura dos ingredientes locais utilizados por cervejarias que trabalham com lúpulo nacional resulta em produtos finais de alta qualidade. Muitas dessas cervejas têm sido reconhecidas em competições internacionais, sendo bem recebidas pelos consumidores e valorizadas pelos jurados.
Um exemplo claro disso é a quantidade expressiva de medalhas conquistadas por marcas de Campinas em competições renomadas, como a World Beer Cup (EUA), a Copa Cerveza de Americas, o Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau e mais recentemente no World Beers Awards.
Controle de qualidade do lúpulo
Campinas também sedia um dos eventos mais importantes dedicados à flor essencial na produção cervejeira. A Copa Brasileira de Lúpulos atingiu sua 5ª edição em 2026, reunindo produtores, cervejeiros, pesquisadores e admiradores do tema.
Nessa edição, foram premiadas 17 cervejas artesanais e uma água lupulada fabricada unicamente com lúpulos brasileiros. Um painel técnico composto por 35 jurados — incluindo cervejeiros experientes, sommeliers e especialistas influentes no setor — avaliou 65 amostras de lúpulo divididas em 18 categorias varietais.
Dentre as amostras apresentadas, as variedades Comet (12 amostras) e Cascade (8 amostras) se destacaram, provenientes de 16 fazendas e uma cooperativa formada por 20 propriedades rurais associadas. Isso evidencia a diversidade e qualidade do cultivo nacional.
