sexta-feira, setembro 4

Quem são os verdadeiros terroristas?

A crescente influência da extrema direita tem levado à categorização de todos os opositores como terroristas.

Essa classificação se aplica a diversos grupos, mesmo aqueles que atuam dentro dos limites democráticos. Trata-se de uma perspectiva extremamente perigosa, que recorre ao lawfare e à judicialização da política, estratégias que já resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse é um método direto para deslegitimar adversários, tratando-os como inimigos e rotulando-os como terroristas.

Terroristas são aqueles que utilizam a violência como ferramenta política. A oposição em um regime democrático deve ser confrontada através do debate de ideias e visões de mundo, independentemente de quão radicais essas concepções possam ser.

Uma das formas mais eficazes de desqualificar um oponente é rotulá-lo como terrorista, o que elimina a necessidade de argumentos a favor ou contra.

Quem adota essa postura se considera automaticamente democrático, mesmo utilizando táticas antidemocráticas, como a rotulação de adversários. Essa lógica presume que quem faz tais acusações age dentro dos princípios democráticos.

No entanto, essa visão precisa ser enfrentada com vigor. A introdução dessa categoria para desmerecer opositores revela uma abordagem autoritária nas disputas políticas e ideológicas, não democrática.

Aqueles que empregam essa terminologia não possuem características democráticas. Um verdadeiro democrata respeita as divergências e se engaja em debates baseados em argumentos, não em desqualificações.

A forma como uma pessoa define o outro reflete sua própria autodefinição. Ao rotular o adversário como terrorista, automaticamente o desqualifica de tal forma que isso dispensa qualquer necessidade de argumentação.

Deslegitimar o outro sem recorrer à violência implica excluí-lo do debate, isentando-se da obrigação de apresentar argumentos. Por definição, quem é rotulado como terrorista representa o mal, enquanto quem faz essa acusação se coloca na posição do bem.

No governo Donald Trump, mais de 50 mil indivíduos foram detidos em apenas um mês. Ele utiliza abordagens repressivas e severas em relação aos imigrantes. Quando a mídia tradicional menciona Nicolás Maduro, por exemplo, frequentemente se refere a ele como ditador ou ex-ditador. Contudo, quando analisa Trump, esse rótulo raramente é aplicado, apesar das críticas dirigidas ao seu governo.

O terrorismo é sempre atribuído ao “outro”. E na perspectiva democrática estabelecida atualmente, quem faz essa desqualificação assume essa posição.

*Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum.